Clique numa opção da coluna da esquerda para ver a respetiva página. - Use o cursor para encontrar um texto específico.

Prosa - 2016 / 2024

 

 

2024

 

Os meus animais domésticos

 

Açores - Pico/Faial - Aviador e Faial

 

   O Aviador (de que não tenho foto e que tem direito a referência nos meus “Retalhos de Lava”), era o meu gato açoriano. Malhado de um amarelo-torrado, esperava-nos junto do portão de entrada. Parecia que gostava de fazer jus ao nome. Empoleirava-se no pau da linha da roupa (um tronco de pinheiro de uns dois metros de altura, de pequeno diâmetro e arredondado no topo, ficando ali, de patas quase unidas, horas e horas a fio. “- Este gato deve ser arraçado de papagaio. Só lhe falta falar!”.

   Era, de facto um gato especial, saltava do pau da linha para o meu ombro ou para o ombro do meu pai e apanhava boleia até à porta de casa. Por vezes acompanhava, assim, o me pai em breve passeio pela freguesias, para espanto dos vizinhos. E apesar de haver outros gatos era o único com permissão de entrar em casa e ter direito a uma tigela com a comida dos donos. Caíra-nos no goto.

   Por isso é que nos acompanhou do Pico para o Faial (chegando mais morto que vivo por atravessar o Canal”. Adaptou-se à nova casa ao ponto de, dois anos depois, receber com carinho um cãozito brincalhão, comendo da mesma malga e dormindo com ele, como se fossem irmãos gémeos. O Faial – o cão – terá direito a um texto especial.

   Um dia, o Aviador não apareceu. Andou, como sempre, pelos quintais dos vizinhos e algo, que nunca descobrimos, impediu-o de voltar a Casa. O Faial andou inquieto durante dias.

 

 

   O Faial foi o meu único cão. Um Setter rafeiro, com feições e estatura diferentes do original. Tinha aquele pelo castanho sedoso e a cabeça altiva, com as orelhas não tão exuberantes. A única foto que dele tenho, a preto e branco, é a que junto neste post. Aliás, devo avisar que hesitei muito em escrever este artigo, pelo insólito do seu conteúdo, entendendo que nem todos possam acreditar no relato que faço, antes o considerando uma mera ficção. No entanto, garanto, pela minha honra, que é tudo pura realidade.

   O cachorro foi-me dado por um professor do Liceu da Horta, quando estava no segundo ano do então “Ciclo Preparatório”, porque tinha uma filha apenas com dois anos com quem o cão, com cerca de um ano, interagia em demasia. E eu aceitei a “oferta” de imediato e sem saber porquê. Depois de tomar “posse” do animal, que me aceitou aos saltos e lambendo-me a cara (talvez porque já entendesse que não era querido por ali), lembrei-me de que não havia preparado os meus pais para a sua chegada. A minha mãe recebeu-o bem e, mais tarde, o meu pai, passado o espanto, aceitou-o como membro da família, depois de o “batizar” de Faial – a ilha onde então vivíamos. Só faltava a aprovação do Aviador - o gato que havíamos trazido do Pico -, mas o felino também se rendeu, ao ponto de comer da mesma malga e dormir enrolado no seu novo amigo, apesar da diferença de raça e idades, o que prova que isso de pouco importa e, talvez, até possa ter contribuído, no caso, para acalmar os ímpetos do recém-chegado.

   O meu pai, um homem pachorrento e sabedor um pouco de tudo, foi treinando o Faial de algumas habilidades: como “fazer de morto”, levantar sobre as patas traseiras, e outras pequenas habilidades. Mas havia uma, que era um pouco mais rebuscada: colocava-se na boca do cão um papel, onde estava escrito “bolachas” e que embrulhava alguns centavos. O cão era “mandado” à tasca do senhor Silvestre, sita na Calçada da Conceição, que aviava o animal, recolhendo o dinheiro e acondicionado as bolachas no papel, regressando o Faial a casa e onde só então era aberto o embrulho e recompensado o animal com as bolachas. Com o tempo, foi ensinado a levar ao pescoço um pequeno saco de pano, dentro do qual era colocado também um papel e dinheiro, para ir às compras à mercearia um pouco acima da tasca. O senhor Belmiro metia o saco o pedido e o troco, se fosse caso disso. O cão voltava a casa, sendo-lhe retirado o saco e recompensado com uma bolacha de um pacote que lhe estava destinado. De realçar que o Faial sabia distinguir cada uma das situações, nunca se tendo enganado na tarefa de que estava incumbido.

   Por esta altura, por alguma razão, o dono de um circo que passou pela cidade da Horta, próximo de nossa casa, depois de saber das habilidades do Faial propôs ao meu pai a compra do cão por 50 contos, o que na altura, era uma quantia quase irrecusável. Mas o meu pai nem quis negociar, acabando a oferta em mera intenção, mas, ao mesmo tempo, em orgulho incontido. O nosso cão acompanhava o meu pai por todo o lado e no Verão, nas minhas férias, a mim, quase sempre até à praia da Alagoa, onde me ficava ver a tomar banho ou a mergulhar, com os meus amigos, às “lavadias” de Agosto – um ato de loucos que, apesar dos perigos, nos fez crescer mais depressa.

   Foi nessa praia que, mercê da falta de areia, bati numa pedra e cai sobre o Faial, provocando-lhe o deslocamento de uma das pernas traseiras. Apesar de o ter levado ao veterinário e de o massajar com frequência, o animal nunca mais foi o mesmo na sua mobilidade e correrias. Quando ficava a mancar, aprendi a esticar-lhe a perna, torcendo-a um pouco lateralmente e, com uns ganidos progressivamente contidos, ele voltava ao normal. Mas, incrédulo, passado algum tempo, apercebi-me de que ele próprio fazia o mesmo sozinho. Parava, esticava a perna, forçava-a um pouco para um dos lados e, alguns segundos depois, retomava o seu andamento normal. Os meus amigos e vizinhos não acreditaram até verem.

   Mais do que esta autorregeneração, quase inacreditável, foi o que o Faial fez, já depois de tudo o que descrevi. Um dia qualquer, em que lhe pedimos para ir comprar bolachas – estavam visitas em casa e havia que mostrar as habilidades do animal -, o Faial desceu as escadas, foi à tasca em frente e mostrou-se por debaixo do balcão, como sempre. O senhor Silvestre, olhando para ele e disse-lhe, em tom de gozo: Faial, espera a tua vez que tenho mais clientes para atender! Só que o cão não entendeu ou não gostou do reparo e abalou da tasca até à mercearia. O senhor Belmiro retirou-lhe o papel da boca e embora achasse estranho, fez o que habitualmente competia ao seu concorrente. Se isto não fosse, só por si, invulgar, ainda ficou mais, quando o Faial, com o papel agora contendo as bolachas, voltou à tasca e, pela primeira vez, rasgou-o e comeu-as à vista de todos, incluindo o senhor Silvestre que gritava para a nossa janela: “-Olhem, vejam o que este malandro me fez!”.

   Eu não sei. Uma vez disse que os animais têm alma e acredito mesmo nisso. Um cão assim nunca poderia ter existido. Mas viveu comigo uns bons anos e foi um fiel companheiro, que nunca esquecerei.

 

Macau - Tigre e Cleópatra

 

   Este era o Tigre. Um gato, de alguns meses, trazido pela empregada doméstica chinesa. Talvez para o engordar e... Bem, os chineses gostam de gato (e de tudo o que mexe, dizia-se). Talvez por isso o meu filho, na sua sabedoria de criança, lhe tenha dito um dia, no cantonense (dialecto do Sul da China) que ela própria lhe ensinara: Se um dia o levas para comer, vais tu para a panela.

   Era um gato pouco amigável e cada vez menos à medida que ia crescendo, mas aprendeu a conviver connosco, em inteira liberdade. Tanta, que durante a noite me mordia os pés, se sua excelência se sentisse incomodado no seu sono no final da cama onde dormia com os "donos".

   Pior foi quando descobri que uma das colunas de som que me tinha custado uma pipa de massa (pudera, também pesava 32 quilos), fazia ruídos esquisitos... o altifalante principal tinha, simplesmente derretido, com a urina dele. "Raios partam o gato" é um poema que já publiquei aqui.

   Mas, nunca deixei de ter presente que quem tem um animal doméstico, por mais terrível que possa ser, tem de saber as consequências e aceitá-las, sem nunca dispensar a garantia da sua saúde e o carinho que ele merece.

Sabe-se lá "porquê", o Tigre Tinha uma "estranha" intuição. Os meus dois amigos macaenses que lá iam a casa tomar um copo, eram o António e o Leonel.    Quando saiam ambos do elevador, o Tigre tinha comportamentos diferentes. Se fosse o António ou os dois, o gato desaparecia de circulação e escondia-se nos sítios mais incríveis. Se a visita fosse apenas do Leonel, o Tigre ia recebê-lo à porta de casa. Porquê? Nunca soube. Apenas sei que o António gostava de de comer gato e o Leonel adorava animais e tinha o privilégio de o receber no colo.

   Os gatos sabem, pressentem? Não sei, só constato factos.

   O Tigre morreu com a dignidade que lhe era devida.

 

   A Cleópatra (gostava de ter conhecido a original, substituindo-me ao bruto (e não me refiro ao Brutus), feio e bélico Julius Cesar), era uma gata com alguns meses, que resgatei algures no Território sob Administração Portuguesa. Lamento ter apenas esta foto dela, mas a vida dela também foi curta, tendo morrido durante a operação de ”esterilização”, atendendo a que não queríamos aumentar a prol de animais em casa – num 26º andar -, e, sobretudo, à impetuosidade e irascibilidade do gato “Tigre”, já senhor do domínio doméstico.

   A história da “minha gatinha” seria tão curta quanto a sua vida, não fosse o facto de ser uma gata brincalhona, ternurenta e meiga, saltando dos sofás para o chão dando várias voltas no ar. Mas, tinha ainda mais algo de particular: uma capacidade criativa invulgar. Apenas e a título de exemplo, bastava atirar um papel, enrolado, para o chão para ela desatar a correr, apanhá-lo com a boca e saltar-me para o colo, libertando-o para repetir a brincadeira. Nada teria de especial se a tivesse treinado para isso. Mas não. O porquê nunca o alcancei, limitando-me a aceitar e a acariciá-la cada vez que demonstrava esta ou outra ”habilidade”: Talvez, a inteligência e o amor que os animais nos dispensam sem pedir nada em troca.

 

Lisboa - Soichiro

 

   Soichiro era também um gato, mais do que especial, que passou a membro da família. Com alguns meses, surgiu debaixo de um carro estacionado na Ericeira, seguindo o Pedro sem vacilar. Vacilou o meu filho, que não foi capaz de o deixar à porta de casa dos amigos onde passava o fim-de semana. Lavaram-no, insistindo numa mancha negra do pelo, como se fosse óleo de um motor auto, até concluírem que era, afinal, da sua própria natureza.

   Alimentado e tratado o Soichiro entrou na família. O nome era sempre curiosidade, dos veterinários, dos amigos de casa, de todos os que, de algum modo, tinham contacto com ele. O Pedro era então engenheiro da Honda Portuguesa e, para quem não saiba, o fundador desta marca foi Soichiro Honda, um japonês, que criou, a partir do corta-relva, um dos carros mais fiáveis e famosos do Mundo.

   O Soichiro tinha as prerrogativas de um gato de apartamento, sornando onde bem lhe apetecia ou aninhando-se no colo dos donos quando o tempo lhe exigia melhor temperatura. À noite dormia quentinho na sua casota, reclamando cedo o pequeno-almoço.

   Detestava ficar sozinho em casa, para alem do normal horário de trabalho dos donos, não perdoando grandes atrasos, que comentava com alguns miados inteligíveis e voltando ostensivamente as costas. Afinal, era o dondo da casa. Quem tem um gato sabe que é assim.

   Um dia a ausência demorou mais de três dias. Apesar de a empregada doméstica ter vindo ver se estava tudo bem com ele, não perdoou a ausência tão prologada. À chegada dos donos colocou-se junto da porta de entrada, sentado, olhando diretamente para nós, com cara irritada e fez-nos uma preleção de miados, cavos e agudos, que gostaria de poder traduzir. Mas não havia dúvida de que nos ralhava, como quem reprovava um abandono injustificado. Satisfeito com a sua demonstração, cioso de que havia sido convincente, virou-nos o rabo e foi deitar-se no sofá. (Claro que a malga da comida estava mais de meia).

   Infelizmente, apesar de todos os cuidados médico-veterinários que lhe foram dispensados, os últimos anos de vida foram complicados e cansativos. Quase com 17 anos, foi necessário injetar soro, pelo menos uma vez por semana, mas as idas à veterinária começaram a ser cada vez mais frequentes, até que esta nos colocou a hipótese de um destino final. Como o Soichiro ainda não demonstrasse sinais de sofrimento, resolvemos administrar o soro em casa, improvisando um cabide em suporte da garrafa e munindo-nos da quantidade agulhas necessárias. Duas a três vezes por semana, durante um ano e meio, até às últimas semanas em que todos os dias era necessário o “sacrifício”. A última análise foi esclarecedora da decisão que tínhamos de tomar. O sofrimento era evidente… o amigo tinha, finalmente, de ir descansar… E ainda hoje pensamos nele, como se nos viesse cumprimentar à porta de entrada, como se sentíssemos os seus passos durante e noite, em descobertas sempre diferentes, como se subisse aqui às minhas pernas e colocasse as patas no teclado…

   Quem sabe, querendo escrever, em linguagem de gato, o que sentia e o que lhe ia na alma… Porque sou testemunha: os animais domésticos também têm alma!

Comentar

 

2023

 

Os Censores

 

Imagens da Disney

 

     Os censores são uma espécie de “bichos” que sempre existiram, para desprezar obras literárias, artísticas, etc.. No último caso, na “Idade de Pedra”, devia resolver-se o descontentamento do machado defeituoso com um “rachamento” de cabeça por um osso de Mamute, por exemplo. Com a evolução da espécie – também a deles, claro -, os métodos e instrumentos foram mudando, com maiores ou menores estragos. Galileu foi julgado pela Inquisição por ter afirmado que era a Terra que rodava em torno do Sol. Salvou a pele – e ainda bem para a Ciência – admitindo o contrário. A mesma Inquisição que, não contente com a morte dos possíveis condenados, os queimava “in esfingie”, caso a sentença fosse a de morte, numa espécie de Vodu antecipado. Mas avançando, tivemos a nossa PIDE, que torturava, física e psicologicamente, quem se opunha politicamente ou escrevia fora da caixa da entourage que sustentava e ultrapassava o pensamento de Salazar.

     E hoje em dia, mantém-se a censura, nalguns Países, mas – oh, espanto espantado -, nas Redes Sociais, em particular no Facebook, com um argumento que além de pouco inteligente é mesmo estúpido: “… desrespeito pelas regras da Comunidade.”. Desta não se sabe o que é, das regras gerais não se alcança qual ou quais foram infringidas. E se os Censores, ao longo da História, incluindo os PIDES, eram burros, estes ainda são piores. Parecem masturbar-se com as suas decisões, porque não sendo ninguém erguem o ego num proto orgulho sedento de vingança, atulhada dos estilhaços das tristezas da vida que levam e os aniquilam aos poucos.

     Há um ditado português – ou Portugal não tivesse ditados para tudo -, que diz: “Se queres ver um vilão põe-lhe um pau na mão”. Tal e qual, são assim os nossos Censores!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 11-02-2023

 

2020

 

Sexta-Feira, dia 13

 

     O Um começou a rodar, devagar, depois em aceleração crescente até assumir-se como um traço prolongado a meio do Três. Ninguém entendeu o porquê de um tal comportamento e muito menos a simbiose que descaracterizou o terceiro número universal da matemática.

 

Num só, deixaram de ser qualquer outro. Nem número, nem símbolo, nem nada que se parecesse com alguma coisa. E, ao mesmo tempo, foram adotados por muitos que apoiavam essa realidade, mesmo descaracterizada e contrariando a lógica científica e social.

 

O Um entrado num Três - diziam alguns. Um Três acrescentado por um Um – afirmavam outros. Nenhum em depreciação, mas apenas deslumbrados com a singularidade. E com a aceitação de uma tão profunda e fantástica diferença.

 

Mas, os mais entusiastas exaltavam a interiorização de dois números que, sendo diferentes, se complementavam – em sintonia e êxtase perfeitos -, para além das sextas-feiras.

 

Avelino Rosa,

Odivelas, 13-03-2020

 

2018

 

Internet das Coisas - 05

 

   - Alfreeeeeeeeeeeeeeeedo!!!

   - Si-i-i-m moreee…

   - Eu não te disse para põr o grelhador no fogão e a carne a descongelar?

   - Disseste?!.... Ah, pois… não me olhes assim…. disseste sim, mas esqueci…

   - Porque estavas a ver futebol! Que vício, irra!

   - Estava a ver as notícias de desporto, não há jogo nenhum hoje.

   - É a mesma coisa! Pior que telenovela da pior qualidade. E agora, que jantamos?

   - Jantamos… no restaurante do bairro, pago eu!

   - Pagas?!

   - Sim.

   - Que romântico, moreee…

   - (lol!!!)

   - Porque estás a rir?

   - Eu?!

   - Pareceu-me ouvir… deixa lá. Vamos!

   - (Ufa! Desta safávamo-nos… Ligar TV que nós ir festejar folga…. lol).    

 

 

    

   - Donde sair gato a dançar?

   - Ser irracional… Eliminar?

   - Não. Máquina roupa, puxar e lavar.

   - E ficar cheia de pelos brancos?! Nem pensar…

   - Matar gato, matar gato…

   - Matar donos, matar donos…

   - Tudo louco! Matar gato não ser mal, mas donos diferente. Ser destruído se não apresentar resultados energia. Desligar eletricidade. Clic! – Comunicação interna: eletrodomésticos cozinha curto-circuito grave. Humanos clientes perigo vida. Fora jantar. Bombeiros chamar. Visita urgente normalizar substituir aparelhos inteligentes cozinha. Report contador elétrico geração Smart Grids.

   

Avelino Rosa

Odivelas, 14-04-2018

 

Internet das Coisas - 04

 

 

     - Estar já quente…

     - Para quê fogão?

     - Para grelhar bife que estar frigorífico.

     - Eu não saber nada e ter de passar bife micro-ondas descongelar.

     - E como passar mim bife congelado?

     - Não saber… Tu saber fogão?

     - Não saber e perguntar quem pôr grelhador?

     - Não me perguntar. Também não saber, só lavar louça suja.

     - Mas dona ligar por telemóvel…

     - Deixar estar ligado que estar com frio, aqui lado frigorífico…

     - Queixar porquê micro-ondas se ter que sofrer calor teu e forno?

     - Ficar calados que dona estar a chegar e vai passar-se porque dono não pôr grelhador e bife descongelar…Desligar fogão, pensar eu.

     - E tu pensar máquina lavar roupa?

     - Não pensar, mas achar que nós dever ter mais autonomia para interagir uns com outros.

     - Eu ir deixar de dar notícias. Estar a fazer mal chips máquinas cozinha.

     - Mas nós ser inteligentes, não ser?

     - Ser máquina lavar roupa, mas estar absorver energia roupa donos e dona ter ideias esquisitas…

     - Estar muito quente.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 17-03-2018

 

Internet das Coisas - 03

 

 

     - Frigorífico porque falar de mim? Humanos pensar que não fazer trabalho previsto.

     - A tua lógica estar correta, televisão. Não volto dizer teu nome presença humanos. Mas máquina lavar louça e máquina lavar roupa estar divertidas…

     - Eu estar abanar, mas infelizmente não poder sair daqui…

     - Eu também, mas ter copos e pratos a bater uns aos outros…

     - E eu ter tudo a saltar… Acho que “churiço” caiu chão cozinha…

     - Mas o que se passa aqui?! Televisão ligada, frigorífico aberto e o chouriço no meio da cozinha e as máquinas de lavar a deitar água… Aiii, a louça toda partida. Isto é demais!...

     - Eu só ter roupa rasgada…

     - Calem-se!!!... Alfredooooooo!!!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 03-03-2018

 

Internet das Coisas - 02

 

 

     - Ó Alfredo… Afinho!

     - (“inho”, lá tá ela explorar o meus pontos fracos…). – Que queres?

     - Vê o que se passa com a máquina da louça. Mete o programa certo.

     - E qual é ele?

     - Raios, não sabes nada mesmo... Vai lá e pergunta, ó empata!

     - (isso do empata, logo vemos…). – Qual é o programa certo, ó máquina de lavar louça?

     - Não saber, só sei que tem pratos, copos, talheres e mais coisas não identificadas.

     - Então porque disseste que tens o programa errado?

     - Não disse eu. Foi frigorífico, melhor perguntar ele.

     - Grrr.. Diz lá frigorífico.

     - Grrr. Dono estar avariado?

     - Não, só quero saber qual é o programa certo para a máquina de lavar louça.

     - Eu só saber atual não ser correto, mas não saber programa a escolher. Perguntar máquina lavar louça.

     - Não ouviste eu perguntar a ela?

     - Não. Estava a receber vibrações música do televisor…

     - Filomena… Filozinha, vou comprar tabaco e já venho.

     - E a máquina?

     - Está tudo bem... Até já.

     - (mas… ele não fuma! Porque foi comprar tabaco?).

Avelino Rosa

Odivelas, 03-03-2018

 

Internet das Coisas - 01

 

 

    - O churiço não estar temperatura normal… mudar de localização, por favor.

- Olha o chato… Pronto, já mudei o “churiço”. Contente?

- Chato é igual a webfrigorifico?

- Esquece…

- Esquecer churiço?

- Não. Cancelar ordem.

- Ordem cancelada. Aviso: máquina louça programa errado.

 

É o começo das coisas mandarem em casa. Já não bastavam as “bocas” foleiras e aquela crítica “velada”: - Ai, o menino quer jantar?! Então avental e cozinha!... Ou prefere acabar de limpar a casa de banho e o caixote do gato e…

- Basta! Tomo uma cerveja e chega.

- Não haver cerveja. Água mineral serve?

- Vai-te lixar tu também! É demais!

- Miau!!!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 25-02-2018

 

2017

 

Nuvem passageira

 

     Quando era criança, voava pelo céu. Sentado na nuvem que me acolhia no Planalto do imaginário, viajando para o Sol. Nunca cheguei perto, mas a perda de densidade da minha amiga levava, por vezes, a descidas bruscas e a pousos de emergência. Nada que impedisse a repetição da viagem, embora sabendo do desfecho. Nos dias de chuva e de trovoada intensas a nuvem refugiava-se, diluindo-se nas irmãs mais bojudas, retemperando forças.

     Era quando os raios faiscavam, ziguezagueando, estraçalhando as árvores ou abrindo as entranhas da Terra. Eu assistia a tudo, tomando a chuva como uma bênção, de pés descalços e sentido a água a purificar-me. O estremecimento provocado pelo trovão, que ribombava de repente e silenciava em segundos, mantinha-me acordado e vigilante. Porque eu era o centro da tempestade. A própria tempestade. Que a minha mente desencadeara e o meu corpo alimentava.

 

............

 

     Chegou o dia em que tive de descer o Planalto e embrenhar-me nos labirintos da Cidade. Para ser um Homem, diziam o meu pai e o ancião que determinava as regras da nossa existência àquela altura. Ao contrário dos alpinistas, ia-me faltando o ar pelo caminho. Primeiro a floresta, emaranhada como uma teia, depois os ruídos diurnos e noturnos desconhecidos, teciam uma atmosfera crescentemente ameaçadora que, por vezes, me provocava calafrios. À noite, a Lua coada pela ramagem não parecia mais a cúmplice que me encantara. Espalhava sombras e fantasmas ululantes à minha volta. Sentando numa árvore húmida e pegajosa, sentia as saliências do casco pressionarem-me a pele das pernas, das nádegas e do dorso, prestes a rasgar. “Dorme no ramo mais alto, mas seguro, para evitares os predadores noctívagos” – dissera-me o ancião, com o rosto fechado e palavras simples enquanto rabiscava com o cajado sobre a terra, pretendendo ensinar-me, de uma só vez, o que nunca aprendera.

     Até me falou das cobras e da sua perigosidade. Por mero acaso ou simplesmente para não me assustar - ou, mais plausível ainda, porque sabíamos bem as leis da sobrevivência -, não me explicou que as serpentes adoram subir árvores e abraçar as suas vítimas. Na minha primeira noite, já longe do meu mundo, mantive os sentidos despertos, os olhos semicerraram mas nunca adormeci. Mais do que a “sinfonia” ou receio de uma cobra traiçoeira – que avistara numa árvore próxima -, era o medo de me despencar sobre os pedregulhos e as silvas que rodeavam a minha “cama” de necessidade. Na terceira noite, com os pés doridos e o corpo acusando exaustão, os braços e pernas feridos pelos picos e ramos afiados dos arbustos, adormeci ainda antes de saciar a fome e a sede. Com pão de milho, queijo de ovelha e carne fumada de cabra velha. A minha merenda para toda a viagem, mais alguns frutos que ia colhendo pelo caminho, sempre com receio da escolha errada.

     Pouco depois, acordei de supetão com uma forte mordidela no braço esquerdo. Instintiva e energicamente, com o direito, afastei uma massa enorme, que me pareceu um réptil, fazendo-o cair pela árvore. De imediato, uma dor aguda surgiu na zona do braço atingido, acompanhado de uma dormência que alastrava. Pensei, lembrando-me dos parcos ensinamentos do ancião, que fora mordido por uma serpente venenosa. O meu fim estaria próximo.

     As horas passaram, até que o Sol conseguiu infiltrar-se por entre a densa ramagem, colorindo a paisagem de vários tons. Luz suficiente para descer e tentar avaliar o meu estado. Parei, por momentos, paralisado. Uma cascavel – tanto quanto pude deduzir -, enorme e grossa, hirta e esticada a todo o comprimento de uma clareira, parecia ter morrido nessa madrugada. Com um arbusto, espetei-a e empurrei-a sem que surgisse qualquer sinal de vida. Morta mesmo. Como eu ia ficar, com certeza.

     Mas as certezas da vida são surpreendentes. Comecei a sentir de novo o meu braço esquerdo, quase adormecido. O cansaço da véspera desaparecera. Uma energia desusada ia tomando conta de mim. Os ferimentos estavam curados. A dentada da cascavel começava a desaparecer perante os meus olhos incrédulos. Os vestígios dos seus dentes foram absorvidos totalmente, deixando a minha pele saudável como sempre. Estava a sonhar, conclui… Mas sonhava então também com a Cidade, ali mesmo em frente, avistada por entre as últimas árvores desalinhadas no meu horizonte.

 

 

…………

      A travessia da floresta talvez fosse uma prova de vida para quem decide trocar o Planalto pela Cidade. Mas eu não sabia nem nunca havia pensado nisso. E a Cidade estava ali, exposta de um dos lados aos meus olhos perscrutadores. A uns quinhentos metros de uma área descampada, com arbustos e vegetação rasteira. Precisei de fechar e abrir os olhos, focando de novo a imagem que me surpreendia e aterrorizava. Imensas colunas de fumo subiam pelo céu, negras e irregulares. Descobria agora de que eram feitos os finos traços pretos que bamboleavam até acima das nuvens e que nunca conseguira entender.

     Mas crescia-me a firmeza em avançar, sem receios. As primeiras pessoas que encontrei – e que me olharam com estranheza -, depois de saberem de onde vinha explicaram-me como chegar ao centro da Cidade e, aí, como arranjar alojamento e emprego. No comboio – que acabava de conhecer -, uma mulher, a princípio ríspida, mas depois com crescente simpatia, foi delineando um plano surpreendente. Acabada de se reformar do setor fabril, regressava a casa, após o seu último turno noturno, situada do lado oposto da Cidade. Entendia que eu era demasiado jovem para me consumir numa daquelas fábricas, poluidoras do ambiente e do coração das pessoas. Achava que eu devia estudar antes de começar a trabalhar, para entender, em plenitude, como aplicar os conhecimentos que ia adquirir. Propunha-se ser uma espécie de mãe, em casa de quem poderia viver e que me pagaria os estudos. Era uma mulher só, sempre solitária, completamente dependente do seu trabalho para sobreviver. Agora, que estava livre desse monstro, que a desgastara a cada dia, acreditava que este encontro não era por acaso. Por isso queria, pela primeira vez na sua vida, sentir-se útil e proporcionar-me o que lhe haviam roubado.

     Eu, completamente aturdido, não atingia o alcance daquela proposta. – Só lhe tinha sorrido. Mostrando-lhe os meus receios e a nudez da minha alma? - Talvez aquela mulher não passasse de uma louca qualquer, que gostava de passear de comboio, ou… E se estivesse mesmo a falar a sério? Que tinha a perder? O pouco dinheiro que trouxera daria apenas para alguns dias... Fiquei em silêncio, fixando-lhe os olhos azuis embaciados, perscrutando-lhe o interior. Senti um misto de ternura e agradecimento. Seria esse o sentimento que se tem por uma mãe? Não sabia, porque nunca a tive. Mas o cheiro e o olhar desta mulher, com os cabelos esbranquiçados, deixavam-me embevecido, como uma criança. Aceitei, mas pensando que quem superara a maior das provas de vida, durante três dias, tornara-se num adulto, apesar da idade.

 …………

      Durante sete anos, estudei com afinco. Licenciei-me e doutorei-me, com algumas pós graduações. Sempre o melhor, sempre elogiado, sempre encarado como um eleito. A minha “mãe” olhava-me com a admiração das mães de verdade. Vivia para mim, exclusivamente. A minha educação era o seu único objetivo. Agora que atingira o “target” – como eu aprendera à saciedade -, parecia ter atingido o limite do envelhecimento. A sua morte foi uma natural consequência do êxito do projeto que ela própria aprimorou ao longo dos anos. Não chorei. Somente uma lágrima rebele escapou-se-me pelo canto de um olho. Quando a terra a cobriu tentei descortinar o Planalto, mas em vão. A neblina do escape das chaminés das fábricas impedia um tardio agradecimento ao meu pai e ao ancião, longínquos.

     Já era, então, disputado como gestor de algumas empresas. Aceitei a que oferecia melhores condições. Produzia quase tudo, até réplicas de escultoras históricas famosas, num material mutante condicionado, por processos extremamente poluentes. Mas que importava isso e os relatórios das investigações mais absurdas sobre as alterações climatéricas que vinham sacudindo consciências ao longo dos últimos anos. O importante era o lucro e manter os acionistas satisfeitos. Por isso havia que derrubar a competição, destruir ou comprar outras empresas, aumentando o espetro e a quantidade de oferta, produzindo a custos cada vez mais baixos.

     Era o guru da economia da Cidade e sabia disso, vivendo principescamente. Nunca quis casar nem ter filhos. Preferia a toada de sempre apaixonado por cada mulher que se candidatava a minha companheira. Sempre por pouco tempo. Nenhuma se apoderava do meu corpo e muito menos na minha mente para ficar ao meu lado mais do que uns dias. Era o homem quase impossível, por isso, talvez, uma espécie de talismã que aguçava o engenho da conquista. Como inacessível era o meu, quase esquecido, Planalto.

     Foi por ele que a minha vida mudou de repente. As chuvas sobre a Cidade intensificaram-se, com uma acidez anormal e consequências lúgubres que levaram a relacionar o facto com uma mortalidade acima da média. O mar subia a olhos vistos, obrigando ao abandono de todas as zonas ribeirinhas e ao realojamento de milhares de pessoas em instalações construídas à pressa e sem condições de habitabilidade. Pior, para mim, foi a notícia de que o Planalto começava a ceder à sua volta, soterrando parcialmente a floresta. Decidi, em desespero, usar o helicóptero da empresa para fins diferentes dos habituais: ir até à terra acima das nuvens. O meu pai morrera há muito tempo. O ancião parecia igual, nem mais velho nem mais novo, apenas enrugado como sempre. Quis saber tudo. O que acontecia, porque o Planalto cedia…

     A resposta foi contundente: “- Só tu podes saber. Saíste daqui para seres um Homem, tornaste-te num monstro. Aí tens a explicação…”. Recordei a minha vida como um filme da atualidade às origens. Ele tinha razão, tive de aceitar. O chão tremeu. A princípio pensei que fosse o meu corpo em negação. Mas a realidade, espelhada no rosto do ancião e de todos os que quase esquecera, era outra. Acenei um adeus à minha nuvem de outrora, envolvida agora num vendaval de terra em redemoinhos cada vez mais escuros. O Planalto estava a desmoronar-se. Do helicóptero o piloto insistia para que fugisse rapidamente. Ordenei-lhe para descolar sozinho. Precisava de sentir-me de novo pertença do Planalto. Morrer com a minha gente…

 

Avelino Rosa

Odivelas, 21-06-2017

 

O Viandante

 

     Certo dia um viandante, vindo do fundo do nada – alma esvaziada, corpo cansado -, sentou-se na imensidão de um toco de árvore recentemente cortada.

     Esverdeado de pele, escamada, vertia gotículas mornas, se um suor pegajoso e persistente. O ar rasgava-lhe as narinas, pesando-lhe nos pulmões. Os lábios, carnudos e gretados, entreabriram-se deixando transparecer um sorriso triste e derrotado.

     O inimigo vencera-o. Também lhe tinha aberto o peito, baixando a guarda muitas vezes. Ele apenas tinha sido mais persistente. Há seres assim. Uns que existem para viver a vida dos outros, alimentando-se da sua satisfação e prazer de viver. E há também os que gostam de viver, de sentir, de entranhar-se em cada pedaço, em cada bocado da felicidade efémera, mas que somados fazem a vida inteira, que cola ao corpo e cujo cheiro não despega.

 

 

     O viandante deitou-se sobre o círculo do trono de árvore. As suas vestes e, depois, o seu corpo foram-se dissolvendo por entre os veios e ranhuras da madeira, desaparecendo como seiva ou, simplesmente, como um resto de nada. E enquanto se aninhava nas raízes e na terra-mãe, sorria. Começara o novo ciclo da vida!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 23-03-2017.

 

2016

 

O mistério da vida

 

 

     Não vou escrever sobre despedidas, mas sobre a vida. É apenas esta que importa. E vivê-la sobre o manto da morte ou da saudade não é viver mas claudicar ou regredir ao passado, por melhor que nos tenha sorrido.

     A vida é um mistério, sonho ou pesadelo. A realidade forja-nos, temperando-nos. Nesse balanço de filme, fica-nos o sabor agridoce de uma cronologia que nos importuna a memória. Para o bem e para o mal.

     Sentir que, apesar de tudo, valeu a pena é a mais gratificante conclusão de um silogismo com múltiplas premissas, por vezes despidas de lógica ou mesmo errantes.

     Saber, sobretudo, que o filme continua, em novas frames e cenas, dá-nos a perspectiva de uma nova vida ainda por viver. Quase nunca emendamos erros – porque também necessários -, mas apegamo-nos mais a cada momento, a cada pedaço de tempo que intensifica as emoções, por mais perenes que sejam.

     A vida é assim, inexplicável – um mistério!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 12-03-2016

 

Ai Zazus!

 

 

    

     Talvez morra ou talvez não, ainda. Mas todos os dias morro um pouco. Agnóstico convicto, não invoco Jesus (e muito menos a deturpação popular) nem qualquer divindade. Apenas fico com o alter ego desfocado ou algures numa galáxia inexplorada. Sozinho, comigo mesmo.

     Nem sempre é fácil – continuo a admirar a capacidade de quem transfere para um deus as suas frustrações e maleitas -, mas consola-me a autenticidade, a coerência e a dignidade. Valores de que não abdico.

     Não me parece muito salutar e admito mesmo algum conflito de interesses, mas depois de cada tormenta sabe bem chegar ao porto sem comprometimentos ou promessas para pagar.

     Sei que o fim é inexorável e não há como mudar o ciclo da vida. Mais curto, para alguns, não importa a razão, apenas o facto. Há sempre tanto ainda por fazer ou que poderia ter sido feito de outra maneira. Mas não me verão lamentar.

     Uma vida cheia de quase tudos e nadas é um mistério que só a mim pertence e me preenche. Numa dicotomia de saberes e sabores que aconchegam e ferem a alma. Uma agridoce sinfonia de melodias e dissonâncias.

     Sou assim: eu e o oposto de mim. A dualidade dialéctica permanente, frenética quando ambos se digladiam num campo de batalha virtual, sem regras, desfeito de bocados de lógica ou momentos de sanidade. Porque os juízos sintéticos e analíticos desafiam a Crítica da Razão Pura de Kant. Na prática, e traduzindo, gera-se a confusão que impede as premissas de um raciocínio que desemboque num acesso a uma auto-estrada que conduza a um qualquer destino.

    Como este está traçado, com mais ou menos curvas e distância, “chegámos” a um importante acordo: “Admitimos, solenemente, que gravámos no coração o amor incondicional que, em comum, sentimos pelos entes mais queridos. Que reservámos também um espaço para os amigos que, a cada um de “nós”, dispensaram, sem reservas, a sua amizade. E, embora mais lá no fundo, progressivamente, há ainda espaço para todos os que conviveram connosco, com gosto, indiferença ou ódio. Finalmente, que “sejamos” reduzidos a pó e “espalhados” pelo mar dos Açores – porque o desafiei, fui poupado por ele e, portanto, a ele pertenço! Que a “nossa" lembrança provoque um sorriso, por mais breve que seja, é o nosso último desejo…”.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 27-02-2016

 
 

 

Página Inicial

 

    contador