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Breves

 
Publicações

O meu Vício és tu e Retalhos de Lava

24-11-2018

     
 

 Saiba do que trata o meu último livro "O meu Vício és tu" em Publicações (opções na coluna da esquerda) e como o adquirir em

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Breves

Viandante

16-09-2018

 

     Certo dia um viandante, vindo do fundo do nada – alma esvaziada, corpo cansado -, sentou-se num largo toco de árvore recentemente cortada.

     Esverdeado de pele, escamada, vertia gotículas mornas, se um suor pegajoso e persistente. O ar rasgava-lhe as narinas, pesando-lhe nos pulmões. Os lábios, carnudos e gretados, entreabriram-se deixando transparecer um sorriso triste e derrotado.

     O inimigo vencera-o. Por lhe ter aberto o peito, lancetando-o, vezes sem conta, de surpresas e espantos. Ele apenas tinha sido mais persistente. Há seres assim. Uns que existem para viver a vida dos outros, alimentando-se da sua satisfação e prazer de viver. E há também os que gostam de viver, de sentir, de entranhar-se em cada pedaço, em cada bocado da felicidade efémera, mas que somados fazem a vida inteira, que cola ao corpo e cujo cheiro não despega.

     O viandante deitou-se sobre o círculo nodoso do trono de árvore. As suas vestes e, depois, o seu corpo foram-se dissolvendo por entre os veios e ranhuras da madeira, desaparecendo como seiva ou, simplesmente, como um resto de nada.

     E enquanto se aninhava nas raízes e na terra-mãe, sorria. Começara o novo ciclo da vida – o da árvore e da sua reencarnação.

 
Breves

Aos 65 anos...

17-06-2018

     
 

 
     
 

     Aos 65 anos não me sinto mais sabedor da vida e, muito menos, realizado. Devo ter perdido os momentos inebriantes e descurado os segredos que trazem a felicidade “translúcida” e a riqueza material, que moldam o sorriso, palavroso e redundante, e o corpo numa roupagem de marca e barriguinha de cerveja.

     Apenas naveguei no tempo, de peito aberto ao vento, e deixei-me aportar aos portos que me acolheram sem perguntas. Só porque era eu mesmo. E, confesso, deslumbrei-me com isso. Por mais disfuncional e estúpido que possa parecer, admito que me senti sempre confortado. Com a naturalidade dos “picarotos” feitos de mar e lava. É o que sou!

 

Avelino Rosa

Odivelas, 17-06-2018

 
 
Prosa

A Internet das Coisas 01/02/03/04/05

14-04-2018

 
Poesia

Não Sei do Amor

19-03-2018

     
 

 
 
Poesia

Não tenho medo

Orquídea

09-03-2018

     
 

 

 
 
Poesia

Dos meus olhos a tua cor

25-02-2018

 
Agenda cultural

Atualização

13-01-2018

 

   A Agenda Cultural foi integralmente atualizada, permitindo uma cobertura nacional, tão ampla quanto possível. Recordamos que a Agenda está organizada por Distritos e Municípios (a maioria dos disponíveis na WEB), refletindo as atividades locais, mas também os eventos por regiões e a nível nacional, neste caso através das Agendas Regionais e Nacionais, bastante abrangentes.

   Pode colaborar enviando-nos links de câmaras municipais ou de agendas culturais não inseridas nesta página, através do email avelinorosa50@gmailcom. Esta Agenda é, que saibamos, a que tem uma mais ampla cobertura do País e, com a sua ajuda, podemos torná-la ainda melhor.

 

 
Poesia

Cabelos flamejantes

Palavra engaiolada

O nó

Sempre apeteces

Fado choradinho

08-12-2017

 
Prosa

Nuvem passageira

08-07-2017

 

     Este conto, que partilho convosco, tem de ser lido sob as palavras. Retrata algo já velho, mas sempre atual. A ambição desmedida, sobretudo dos que partem do nada. O arrependimento tardio não redime, apenas faz constatar que o percurso de vida, além de inútil, foi fatal para os concidadãos. Hoje, mais do que nunca, cada um tem de (re)pensar o seu papel neste Mundo que é de todos nós.

 
Publicações

Ana Ribeiro

08-07-2017

 

     Faz uma apreciação sobre o meu livro "Nas Asas da Net". Um trabalho que muito me apraz registar. Obrigado amiga Ana Ribeiro. Quem sabe se um dia não haverá outro romance com esta temática que, parecendo simples, é muito complexa e exige grande exposição de nós próprios. Porque muitos leitores não acreditam que o escritor tem uma imaginação ilimitada.

 
Breves

Miguel Rosa

05-07-2017

 

     A viver em Inglaterra, desde 2013, na Cidade onde nasceu William Shakespeare (Stratford-upon-Avon), o Miguel Rosa, que vai fazer em breve 9 anos, parece ter uma apetência especial para a escrita e, em particular, pela poesia. Não lhe posso ensinar nada, mesmo reivindicando o estatuto de avô. Apenas senti-me imensamente orgulhoso quando conheci estes poemas. E fico à espera de mais, sem pressões nem exigências. Não se escreve apenas porque se quer, mas porque é um acto que faz parte de nós e nos toma, ora de assalto ora na languidez. Como costumo dizer, são os dedos inquietos e irrequietos que povoam as folhas brancas a mando de algo que nos transcende. Força Miguel!

 

   

 
 
 

 
Breves

Dimensão GECHYVAC - IV

01-07-2017

 

     A água comprimida dos jatos massajava, criando e ampliando sensações. YNARA olhava para mim, lânguida e sedutora. Descobri, de repente, que os olhos dela esverdearam, a sua língua bifurcou e a pele começou a cobrir-se de escamas. Ainda pensei que o vapor de água distorcia a imagem de uma serpente, mas não. Tentei abandonar o Jacuzzi em vão. YNARA enrolou-se em mim em múltiplos abraços… Exausto da refrega, gritei para dentro de mim. O grito acordou um ser transfigurado, sentido o corpo e a cama molhados. Sonhara ou voltara à minha Dimensão depois de um dia anormalmente quente, sob o enigmático Sol do Algarve?

 
Breves

Dimensão GECHYVAC - III

26-06-2017

 

     Que faria com YNARA assim reduzida a um ser minúsculo, apenas com a cabeça de fora da algibeira e uns olhos esbugalhados fixos no nada? Esfreguei-a com uma mistela anticongelante. Depois coloquei-a no Jacuzzi, enquanto tomava um café para aquecer. O ar lá fora estava gélido, com um vento cortante e inibidor. Uma neblina cor de laranja tornava a paisagem fantasmagórica. Fantasma tinha eu à minha frente. YNARA voltara à normalidade, reclamando um gin tónico, com aqueles olhos e lábios carnudos sensuais, e a minha presença junto dela. (- Pensa rápido! – disse comigo mesmo, mas nada.) Que hei de fazer para voltar ao meu Mundo?

     Aceitam-se sugestões no Facebook. Vá lá, ponha a imaginação à prova!

 
Breves

Dimensão GECHYVAC - II

24-06-2017

 

     YNARA, a Estrela, vibrou tanto que começou a adelgaçar a olhos vistos. Uma poça de gordura encheu o círculo onde nos encontrávamos. Caí, escorregando no líquido azul esbranquiçado, passando entre as pernas de leggins disformes e projetado para fora do espaço da diversão virtual. Aqui, já não havia som do espetáculo, apenas os zumbidos dos zuberdrives que, num frenesim, transportavam clientes pelo ar, em todas as direções. Uma vozinha, fraca e distante, pontapeou-me uma canela. Olhei para baixo e descortinei Estrela, pequenina e empalidecida. Agarrei-a e metia-a no bolso esquerdo do blusão azul, tomando um táxi aéreo.

 
Breves

Dimensão GECHYVAC - I

22-06-2017

 

     Continuo na dimensão GECHYVAC. Afinal, é quase igual à nossa e já começo a sentir-me maçado. Fico mesmo irritado (interiormente) por não poder voltar já. É que tenho alguns compromissos, entretanto assumidos, como o de acompanhar uma estrela a um espetáculo megaTECNO, onde temos de ouvir o som apenas através das vibrações. Forma de proteção dos tímpanos, mas também de desencadear outros fenómenos invulgares, só possíveis com o corpo vibrando como um diapasão, dando lugar a experiências sem tabus. E não digo mais, imaginem…

 
Poesia

O "Coice" da "Mula"

31-03-2017

 

 

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Poesia

Não é desta ainda

Não sei se é adeus

Querer e sonhar

Relicário

O lado negro dos teus olhos

27-03-2017

 
Prosa

O Viandante

27-03-2017

 

 

O meu espaço nos escritores.online, devidamente atualizado. Clique na imagem abaixo.

 

 
Dia dos Namorados

A Terra vai acabar...

13-02-2017

 

     Cientista russo afirma que a Terra vai acabar em 16 de fevereiro de 2017.  Apenas dois dias depois do Dia dos Namorados. Um corpo celeste escuro, não totalmente identificado, mas que pode ser um cometa ou asteroide com cerca de 1 km de diâmetro. Pode cair em qualquer parte do nosso planeta, já bastante mal tratado. Se cair numa zona habitável, adeus a milhões de pessoas num raio ainda não determinado. Se mergulhar no mar, dará origem a um Tsunami que matará muitos outros milhões. Se no deserto ou nos polos, nada se diz, mas supõe-se que espalhará incontáveis metros cúbicos de gelo e areia que dariam para bué de milhões de cubos para bebidas geladas e cimento para empreendimentos maiores do que os que por aí se constroem com ar de luxo e qualidade depressiva.

 

 

     Portanto, há que tratar da vidinha até lá. E, sobretudo, prolongar o Dia dos Namorados até à hora fatal. Para quem aguentar terá apenas uns breves segundos para gaguejar: “Sempre te amei… / O Mundo a acabar e tinha de ser logo contigo… / Nunca mais vou ter um orgasmo como este!”. Temos pena mas não haverá tempo para mais nada. Vai ser assim mesmo. Curto, com sorte indolor e a glória de virar poeira cósmica espalhada pelo Universo. À cautela, metam férias, vão para o lugar dos vossos sonhos e com quem mais desejarem… O resto é consigo!

     Não se alarme porque este tipo de notícias é recorrente. Se for verdadeira, antecipados beijinhos e abraços. J Para saber mais aqui fica o link:

http://br.blastingnews.com/ciencia-saude/2017/01/cientista-russo-afirma-mundo-vai-acabar-em-16-de-fevereiro-de-2017-001434767.html?sbdht=_pM1QUzk3wsdF_4L58ZIip0TFLPeAcwsl4SDpkQiJWZhlzijEHcEEOg2_

 
BOAS FESTAS

Ótimo Natal e melhor Ano Novo

18-12-2016

 

 

Clique na imagem para ver vídeo de Boas Festas

 
Poesia

O cigarro e o uísque

04-12-2016

 

 
Poesia

Infinito

Intervalo

03-12-2016

 
Poesia

O cigarro e o uísque

01-12-2016

 

 
Poesia

Tão perto e longe

01-11-2016

 

 
 
Poesia

Rima da Vida

Beijo pesadelo

Vou depressa, vou embora

09-10-2016

 

 
Poesia

Não sei que dirão de mim

08-10-2016

 

 
Poesia

Quando morremos

03-10-2016

 

 

Quando morremos

morremos mesmo

frios, impávidos, esbranquiçados

de olhos fechados, serenos

- é assim que nos vêm

direitinhos e aconchegados

no caixão mais ou menos elaborado

 

Morremos tal e qual

assim mesmo, finados, sem mais

- se uns ainda suspiram uns ais

outros, cumprindo calendário,

riem ao fundo, sob o fumo do cigarro

em conversas triviais e de reencontro

que faria morrer de novo o defunto

 

Morremos e pronto

- e ainda bem que partimos sem destino

há que descansar de todo este desatino.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 03-10-2016

 

A utopia do futuro

01-10-2016

 

     Estudar as novas tecnologias aplicadas ao quotidiano. A pele da Terra (internet das pessoas, das coisas e dos dados). A comunicação global. A perda de postos de trabalho resultante da tecnologia (já Karl Marx…). A revolta por falta de objetivos e de emprego. A descrença. O neoliberalismo selvagem…

 

     Pode-se estudar isto? Sim, mas… A realidade ultrapassa, com frequência, muitos projetos de investigação. O futuro não é já uma evolução mais ou menos de variação contínua, mas uma sucessão de saltos atípicos e sem sustentação global, com uma fundada suspeita de controlo financeiro. As máquinas da primeira revolução industrial são arqueologia de uma quarta revolução – a digital ou 4.0 -, a que se seguirá a quântica, com contornos inquietantes.

 

 

A engenharia financeira – há muito conhecida -, tem vindo a aproveitar o desenvolvimento tecnológico para refinar o prolongamento de um paradigma autofágico: o não crescimento exponencial dos bens produzidos e ou do valor acrescentado – pela ausência de recursos de ponta suficientes e cada vez mais apropriados por uma minoria de países -, aliados a um reduzido desenvolvimento do poder de compra da esmagadora maioria da população – mesmo nos países mais desenvolvidos, mas sobretudo nos cada vez mais endividados ou em guerra, porque esta tem de manter-se como corolário de um Mundo que, vivendo em tensão e desequilíbrios, precisa de escapes.

 

O liberalismo selvagem é autofágico. Cria a necessidade de consumo. E tenta consumir tudo de cada um. A proporção dos mais ricos face aos remediados e pobres é pornográfica. Ao consumir sem sustentabilidade, este liberalismo consume-se a si próprio. A falência de bancos e empresas retira ainda mais rendimento a cada cidadão porque o Estado e as instituições supranacionais dizem ter de evitar o colapso do sistema financeiro obrigando cada pessoa a ser uma espécie de réu substituto (com sentença transitada em julgado) de quem é efetivamente culpado, embora detenha capital salvaguardado em paraísos fiscais.

 

O Mundo começa a estar perigoso. Sem ideologias, sem consciência social e política, os resultados começam a sentir-se. Só não vê quem não quer ou não enxerga. Não vai haver uma revolução, mas o que já se está a passar é um alerta do muito mais que se vai seguir. - Várias panelas de pressão que ameaçam explodir.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 01-10-2016

 
Poesia

Prece

18-09-2016

 
Muralhas e Muros

09-09-2016

 

     A História é fértil em muralhas e muros. Das muralhas, é incontornável a Grande Muralha da China (206. AC – e que pode ser vista do Espaço), mas também podemos lembrar as muralhas de Constantinopla (séc. VII AC) até às nossas de Elvas (séc. XVII a XIX). Muros, destacam-se o de Berlim (iniciado em 1961) e o das Lamentações, na área Ocidental de Jerusalém – com tantas edificações e destruições, anteriores ainda a Salomão. Todos tiveram em comum a função de defenderem o território dos inimigos, salvo algumas situações em que o motivo poderá ter sido de ordem religiosa.

      A queda do Muro de Berlim, a 9 de novembro de 1989, foi, antes de mais, um acontecimento histórico. Significou o final da guerra fria, sobretudo entre uma boa parte do Ocidente e a zona de influência da URSS. Cada bocado do muro desmantelado – por todos os meios disponíveis -, mais que um pedaço de betão foi o fim do absurdo e o recomeço da esperança do futuro Europeu e da Humanidade, independentemente da posição política de cada um. Porque o seu simbolismo foi para além do nosso próprio imaginário. Expandiu a nossa liberdade, sem amarras, permitindo uma nova globalização (assumindo que a primeira é bem nossa, numa altura em que, apesar do desconhecido, fomos capazes de “dar novos mundos ao Mundo”).

 

 

     Agora, já ninguém quer fazer muralhas. Apenas muros. O Muro de Calais, o Muro entre A Tailândia e a Malásia, o Muro entre os EUA e o México (segundo Donald Trump). Porque as muralhas protegem das evasões inimigas, os muros das visitas indesejáveis. É assim que se consideram os migrantes das novas guerras criadas pelo Ocidente, especialmente por um personagem de fraca de inteligência mas que teve o poder desmedido, chamado George W. Bush. E tudo se passa, agora, através de uma UE descaracterizada, desabonada da solidariedade dos seus fundadores e despida dos valores que pretendiam cimentar a União.

     Se juntarmos a este cenário dantesco os espetros do DAESH (ISIS) e da Coreia do Norte e, mais perigoso ainda, do liberalismo autofágico – que cria e recria factos e geografias de conveniência -, o Mundo já nem é um barril de pólvora prestes a explodir, mas um fogo fora de controlo, que poderá atingir proporções inimagináveis. A humanidade desumaniza-se, a cada momento, abrindo portas aos populistas que, por serem básicos – incultos e incapazes -, ainda não entenderam que vão “herdar” uma terra ardia, nua e estéril, condenando a própria espécie.

 

Avelino Rosa,

Odivelas, 09-09-2016

 
Poesia

Lua magoada

25-08-2016

 

 
Poesia

Decadente

15-08-2016

 
Poesia

Quando eu morrer

12-07-2016

 

 
Arruda dos Vinhos

18-07-2016

 

     Neste dia de calor, quase extremo, cumpri a promessa de ir almoçar com D. Sancho I e algumas bruxas, em Arruda dos Vinhos. Ele, apesar da idade e de uma ou outra imperfeição do corpo, continua quase na mesma, sisudo e ensimesmado, remoendo as suas poesias e retorcendo a barba emaranhada. Mas o almoço, na taberna da Ti´Amélia ia azedando quando o tratei por “ó Martinho!”… Não fora a pronta ajuda e o gritinho sibilante da bruxa Ana Lérias e ainda teria provado uma espadeirada enferrujada. Eu, que não tenho a vacina do tétano em dia… 

 

 

     Esquisita ou em resultado do bom vinho emborcado, a Ana Lérias, com aquele olhar encovado e penetrante segredou-me ao ouvido que queria… Tendo eu retorquido que tinha de ir logo de seguida para Odivelas, mas que podia voltar noutro dia…

     E aí está porque não se pode dizer “não” a uma mulher. Logo rogou uma praga que mal entendi. A verdade é que me infetou o pc com um vídeo porno e levei o resto do dia a remover o vírus e a recuperar as amizades do Facebook.

     Mais valia ter continuado em Arruda dos Vinhos, bebendo e comendo melhor…

 

Avelino Rosa,

Odivelas, 16/18-07-2016

 
Poesia

21-06-2016

   
A minha terra é o Mar

04-06-2016

 

     A minha verdadeira terra é o mar. O mar dos Açores. Proibido de me aproximar, esqueci. O chamamento era mais forte. E ele acolheu o menino rebelde, protegendo-o na irreverência e insensatez. Algumas advertências foram, por vezes, severas. Merecia-as. Mas perdoou-me, enquanto outros pagaram com a vida.

     Sempre pensei no meu mar mais como um refúgio do que um escape ou a fuga para além do horizonte. As lapas e os polvos foram. talvez. mais um pretexto do que necessidade. As “lavadias” da Alagoa eram mesmo um desafio. Geralmente conjunto. De bravos e inconscientes “guerreiros” em plena afirmação. Loucos! – diziam uns quantos, não sem uma ponta de reconhecimento da nossa ousadia e coragem, que eles não tinham.

 

 

     É por isso que não temo o mar. Apenas aprendi a respeitar e a entender as suas fúrias repentinas e zangas duradouras. Somos iguais. E voltaria a viver naquele doce embalo da corrente sinuosa das ondas, ora indo ora vindo por entre as rochas submersas. É mais perigosa a vida cá fora, num mundo cada vez mais estranhamente indiferente a tresloucados desabitados de razões e valores. O meu mar é mais sereno e ronrona aos fins das tardes de verão. 

 

Avelino Rosa

Odivelas, 04-06-2016

 
Poesia

Marinheiro

03-06-2016

 
Poesia

Já não me amas

01-06-2016

 
Fui e voltei...

Agora ELA, a Gó...

13-05-2016

 

Há dois dias, faleceu uma grande amiga, com cancro, num espaço de tempo de pouco mais de duas semanas, Inesperada a sua morte, galopante a doença que nos privou da sua irrequietude, alegria e vontade de viver. Com ela, o convívio era uma festa, sã e saborosa, que nos contagiava a todos. Grato pelos bons momentos, deixo-lhe a minha homenagem, abraçando o marido e filha, família de sempre. E este sofrimento fez-me lembrar que, em janeiro de 2012, já internado na Unidade de Cuidados Intensivos da CUF, à espera de ser operado ao coração, pedi o meu bloco de notas e escrevi os textos abaixo. Já mais para o "lado de lá", confuso mas sereno, acreditei que atravessaria as paredes do Hospital e renasceria, E assim foi. A Goreti não consegui, mas ficará na minha (nossa) memória para sempre. Tal como era. Até Sempre Gó!

 

(Escrita quase indecifrável, quando aguardava operação ao coração, no Hospital da CUF / Infante Santo, que ocorreu a 12 de Janeiro)

O cenário sempre mudando, aos lados e à frente, colocado numa simples rua industrial ou em alto mar.

O que deveria ser (e é) um Hospital, mesmo nessa condição, parece mais um lobby de hotel ou, o cockpit de um navio, cada manhã.

Não importa o que seja, o que até pode parecer, simplesmente imaginando. Quero apenas saber o que me envolve, em que me envolvem estas sombras estranhas. Porque muda tudo à volta, porque me surpreendem quase constantemente.

Mas, afinal, não me parecem premonitoras de mudanças drásticas. Apenas experimentando-me e configurando caminhos. Moldando a mim e eu a elas.

Deve ser como quero renascer amanhã!

 

 

Quero entranhar-me nas paredes

deste edifício, que se transmuta

todas as manhãs

 Assim posso sair delas como simples erva

 Avançando devagar pela casa

nunca acabada

que morre e renasce todos os dias

numa agonia telúrica

que se esventra da terra

e geme, treme, remexe

e perpassa por todo o corpo

sintonizando tristeza e alegria

vontade de viver.

   

 11-01-2012

O acordar de hoje foi ainda mais de encontro aos anteriores.

Pronunciando um estilo campestre de mobiliário, que já não só mantém a função de UCI mas a prolonga num comércio geral de mobiliário e decoração.

A “loja” está cheia, a abarrotar de todo o tipo de utensílios, cedendo um pouco à técnica e medicina na área mais marcante da UCI.

O enfermeiro João no seu lugar de sempre, agora com roupa mais ar anos 50, continuando a olhar para o seu monitor, quase imutável.

Não sei se quero levantar da maca/cama. Cada vez que fecho os olhos e os volto a abrir há uma mudança quase impercetível que se vai pronunciando, com ou sem reversão, como se pudessem ser seguidos a caminhar e dependessem de mim que isso acontecesse.

Não sei como. O enfermeiro João está impenetrável.

Só agora dou conta que consigo sair de onde estou. É como se me materializasse algures num outro espaço, meramente imaginário claro.

Não compro nada, não mudo nada, posso observar apenas, distribuindo e recebendo olhares, indecifráveis. 

12-01-2012

 

Do outro lado da vida

 

Estive do outro lado da vida,

tranquilo, como quem está

pronto e expectante…

Ouvia apenas os anjos em azáfama:

“Está a ir…. Preparar DAE… Esperem…

pode ser a Amiodarona… Está a reagir!”

E eu não fui. Teimoso, como sou, fiquei.

“Quando lembro e o vejo agora assim…”

E rimos, eu remoçado, ela feita anjo feliz.

 

A vida é assim, presa por um fio

- só mãos delicadas e experientes

o conseguem manipular sem partir. 

Avelino Rosa

Odivelas, 02-08-2014

(Escrito 2 anos após a operação, em homenagem aos meus médicos da CUF Infante Santo)

 
Publicações

Agora pode fazer download gratuito de alguns textos

e ler, comodamente, em papel ou no seu pc, telemóvel, tablet, etc..

02-05-2016

 
Poesia

Palavras circunstanciais

29-04-2016

 
Poesia

Tapete de Arraiolos

09-04-2016

   
Sol ou Chuva

01-04-2016

   

 

     … tanto faz! Esconder o Sol-Lua ou o seu contrário, ensombrando a sua luz é esmorecer a vida, parando-a como os ponteiros de um relógio sem corda…

 

     O cinzento padronizado mata a estética. E anula a luz, logo a cor. Corre, pardo, sob um manto de vulgaridade, por vezes singular. Vingadoras, as tormentas desabam, lavam e escavam percursos sinuosos mas também redentores.

     Só sei de cinzas. As que vi formarem-se e estender-se, vomitadas do interior da Terra, em labaredas e tremores. Como um parto ensanguentado sem futuro. Acabando em areia escaldante, depois morna e obedecendo à natureza amansada. Como o fim de todas as tempestades.

     O cinzento está em nós. Mordaça da esperança, reprimindo os gritos que nos apetece soltar. E ficamos assim. Peças de um museu de marionetes. Pulsando ao som pardo, que tolhe e inquieta. Manietados ou animados por dedos hábeis e ávidos. De poder?! Não. Apenas de uma “coisa” qualquer.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 01/04/2016

 
Poesia

Já não choro

27-03-2016

 
Poesia

Sou mineiro (Cante alentejano)

22-03-2016

   
Encher Chouriços

19-03-2016

   

 

       Diz-se quando nada se acrescenta, alimentando o discurso ou conversa apenas para fazer (encher) tempo. Por exemplo num programa de televisão, enquanto se espera por um evento importante que, por qualquer motivo, se atrasa.

 

     Sendo compreensível em momentos de direto, já não se entende que se aplique o mesmo princípio e verborreia a comentários a factos reais, recém-acontecidos ou mesmo já longínquos no tempo de televisão. Uns quantos profissionais do palavreado são chamados a discorrer sobre tudo e nada, sobretudo sobre o que não sabem e até do que nunca ouviram falar. E levam eternidades, até serem interrompidos para dar a vez a outro ou porque está na hora de acabar o programa, aliás com o timing já ultrapassado.

 

     Senhores das Estações de Televisão: - Deixo aqui, publicamente, a minha disponibilidade para encher chouriços, naturalmente com as mesmas condições dos outros comentadores, prometendo que nada direi que vos possa comprometer e até acrescentado um pouco mais de conhecimento e cultura à vulgaridade a que nos vêm habituando. Um aviso, porém: quero mesmo o recibozinho com o número de contribuinte, não só porque entendo ser meu dever pagar os impostos mas também porque não quero comprar nenhuma guerra, perdida, com as Finanças.

 

     Não envio curriculum vitae, porque julgo que este texto prova, cabalmente, as minhas habilitações para a função pretendida. Cumprimentos melhores.

 

Avelino Rosa

Vilamoura, 19-03-2016

 
Poesia

Ontem morri

17-03-2016

 
Poesia

Flor de lava

12-03-2016

 

 
Prosa

O mistério da vida

12-03-2016

 
Prosa

Ai Zazus!

28-02-2016

 

Dia dos Namorados

 

14-02-2016

 

 

     O Zé Lambreta fez um poema à sua amada que, mais ou menos coisa, rezava assim:

“Minha querida amada

Depois da tua ausência amargurada,

Só a inclemência de nada acontecer

E virei errante e distante sem a tua presencia.

Tá bom de ver que nenhuma faz esmola,

Só a vizinha do lado me consola,

Quando o marido sai para os estrangeiros,

Conduzindo o camião dias e dias inteiros.

Volta depressa antes que me aconteça ficar preso,

Dessa ou outra mulher que me apeteça ou ficar teso

Da reforma que inda me hão de pagar,

Se o governo não a adiar ou mesmo não a dar.”

– Do teu Zé, mui necessitado. Obrigado!

 

     O Zacarias, igualmente bom malandro, mas mais finório, não fazia versos e muito menos rimas, apostava numas faladuras mais elaboradas, num tom baixo e monocórdico, derretendo as palavras e os gestos como mel aquecido num lume de paixão repentina, como aquele que se incendia, no recipiente de barro com álcool, para assar um chouriço. E levava-as à certa se, por acaso, gostassem de um bom tinto, não importava donde, porquê já o gosto havia sido induzido pela lábia do Zacarias.

 

     Depois havia o poeta, que falava de si e dos seus versos quase célebres – faltava-lhe apenas a devida projeção. Com maneiras, doçura e fingimento, varria de lindos lugares comuns a mente delas, como um vento que aquecia todo o corpo, num tolhimento tolo e acelerado.

 

     E havia mais. Muitos mais…. que, no fundo, queriam apenas namorar, sentir-se amados, não importa se por umas horas, dias ou sem limites temporais. Gente que precisa de alguém, que simplesmente quer viver a vida com os melhores ingredientes que ela proporciona.

     Não importa se namora o Zé Lambreta, o Zacarias ou outro qualquer… apenas que você, mulher, se sinta feliz com ele. E ele consigo, sem machismos, sem preconceitos. Que o amor é cego e a paixão serve-se nua, com sabor a morangos silvestres e ao som trovejante dos tambores.

 

     Um ótimo Dia dos Namorados!

 Avelino Rosa

Odivelas, 07-02-2016

 
Poesia

O nosso ritmo

14-02-2016

 
Vídeo Clips

12-02-2016

 

 

Vamos abrir um novo tema - Vídeo Clips -, ainda em fase experimental.

Vamos publicar no YouTube uma série de "clips" de imagens nossas, algumas muito antigas (digitalizadas de VHS)

e outras, mais recentes, já em HD. Esteja atento(a) e, de certeza, algumas dessas imagens vão ser uma surpresa.

Para já, clique na opção Video Clips (do lado esquerdo) para ver um pouco do Carnaval de Loures 2016.

(Ignore a mensagem do final da página se usar o Internet Explorer)

 
Links e Agenda Cultural

07-02-2016

 

 

     Reformulámos as Ligações (Links - opção do lado esquerdo) de modo a albergar todo o tipo de páginas - sites (sítios), blogs, com exclusão do Facebook -, institucionais, pessoais e outros. Pedimos a todos os amigos que nos enviem um ícone e endereço de outras páginas pessoais ou dos Países da Comunidade Lusófona - neste caso, que representem grupos alargados na área da literatura (prosa, poesia ensaio...) -,para poderemos enriquecer este projeto que pretende estar ao serviço de todos.

     Do mesmo modo, gostaríamos de colocar na Agenda Cultural (opção também do lado esquerdo), os sites (sítios) ou portais mais representativos dos eventos culturais de cada País da Comunidade Lusófona. Aqui fica o desafio e o mesmo pedido de um ícone e endereço eletrónico.

     Saudações lusófonas e votos de um ótimo Carnaval, sobretudo aos amigos brasileiros :)

 
Um milhão de acessos

23-01-2016

 

 
Albedo

 

17-01-2016

 

 

     O meu gato “pensa” que eu mando no Sol. Cada vez que este fica encoberto pelas nuvens, na sua linguagem própria, “ordena-me” que lhe reponha o seu bem-estar – uma espécie de energização a que, naturalmente, apraz uma baixa redução da taxa de albedo (se não sabe o que é há, entre outras, a Wikipédia).

     Faz-me sempre lembrar algumas pessoas que nos pedem o impossível, apenas para fazer constar que sabem e podem tudo, pretendendo fazer-nos crer que somos uma espécie de vermes acéfalos.

     Não aceitando a sua condição, na verdade padecem de um ratio negativo de albedo, sendo a sua absorção da realidade nula. Pior ainda é que a radiação que refletem não aquece nem arrefece ninguém, apenas nos torna indiferentes.

     Honra ao meu gato, inteligente e preocupado apenas com o seu bem-estar, felino normal e sem pretensões a leão de circo.

     
Os Sabujos

11-01-2016

   

 

     Os Sabujos tem as patas da frente fracas. Sucumbem facilmente a latidos mais altos que o seu ganido agudo e irritante. O olhar pardo e ausente, incerto e mesmo fugidio, fá-los recuar ao início do dia, quando se olham ao espelho – ainda atordoados e com as ramelas cristalizadas -, numa patética ambivalência de narcisistas e de salvadores do pequenino mundo que os rodeia.

     Os Sabujos humilham quem tem de conviver com eles, por azar do destino ou necessidade de sobrevivência. Mas bajulam quem neles manda, com salamaleques, exibicionismos, frases feitas de vazio, de feitos dos outros, de incultura e iliteracia.

     Os Sabujos acabam sempre mal. Enrodilhados, mordendo o próprio rabo, dando voltas e voltas para voltar ao mesmo. À estupidez de sempre.

 
Conversas de Café 03

31-12-2015

   

 

     A poucas horas do final de mais um ano. Ainda não penso nos que poderão faltar. Mais por inércia ou mesmo convicção? Devo julgar que, passadas algumas tormentas, o caminho segue, sinuoso como sempre, mas com terra batida e asfalto para andar.

     A idade física e a mental – a acreditar nos testes que vão aparecendo no FaceBook – levam-me a muitos anos atrás. Sorrio, sentido que as meras fórmulas informáticas irrealistas, traduzem ainda o que sinto e de que sou capaz. Não penso no final inexorável do ciclo, apenas no que farei, intensamente, até um dia - não importa quando.

     Na mesa ao lado da minha – onde despacho, com sofreguidão, um cozido à portuguesa -, um casal de “velhotes” esgrime desavenças do dia. Queixa-se ela de que ele pouco lhe liga e não... Responde ele, pesaroso, acusando o comprimido de não ter funcionado, de possível falsificação, da nenhuma fiscalização dos Serviços de Saúde, da armadilha que possivelmente lhe montaram e a que ela não deve ser alheia – desconfia mesmo da troca do medicamento por um placebo. Porque o que ela pretende é a herança dele para se divertir com um mais novo e… Uma “guerra” que só se apaziguou com os olhares reprovadores dos clientes e do empregado de mesa.

     Foi ai que, acabado o cozido, dispensei a sobremesa e pedi um café com cheirinho. Há coisas que ainda só de cheirar me arrepiam… e… (Entendam o que quiserem, tinha mesmo de escrever um texto antes de acabar o ano – lol).

 
Agenda Cultural

Revista e atualizada

27-12-2015

     
 

A Agenda Cultural foi totalmente revista e atualizada, contendo agora, designadamente, alguns links para o Facebook.

Sendo uma das opções mais usadas desta Página, pede-se a todos que nos façam chegar sugestões

e ou correções que a possam enriquecer e servir melhor os utentes, através da opção Mensagens.

 
 

 

Gambozinos

 

26-12-2015

 

     Parti, ao anoitecer, de lanterna e saco nas mãos, pela floresta adentro. À procura de Gambozinos. Ouvi as vozes dos bichos noturnos. Nos intervalos, o silêncio cortante, o ensurdecedor estalar de arbustos sob as botas enlameadas. As horas iam passando. Em cada buraco abria o saco e esperava pacientemente. Até que a paciência virava impaciência e angústia. E a vontade era renovada em mais uma tentativa. Prometida pelo pio arrepiante de uma coruja, pelo uivo aterrorizador de um lobo perdido da alcateia.

     Finalmente, já pouco faltava para o amanhecer. Um pequeno ser de cabeça gigante e corpo minúsculo, saltou para o saco. Mais à frente, outro de corpo e cabeça equilibrados, mas sem pernas. E, logo a seguir, mais um, inteiro mas quase sem cabeça. O sim, o talvez e o não, pensei. Nem sei a propósito de quê. Não deve ser fácil apanhar três Gambozinos numa só noite. Com um foco de luz, por vezes fantasmagórico, de uma lanterna elétrica.

 

 

 

     Chegado à cabana de troncos e hera entrelaçada de onde partira - já o lusco-fusco da noite-dia se fazia adivinhar -, despejei, delicadamente, o saco sobre a única mesa ali existente. Os Gambozinos saíram, alinhando-se pela ordem de captura. Interroguei-os, com curiosidade e a má disposição de uma noite não dormida. Pior disposição a deles, mal-encarados, carrancudos, de lábios cerrados, silenciosos e inexpressivos.

     Conjeturei factos e cenários, construi teorias, mas cheguei apenas a uma conclusão: se aqueles seres existissem só podiam ser, pela ordem de captura e apresentação, cientista, banqueiro e político. O primeiro, pelas olheiras, provavelmente trabalharia por conta de outrem ligado ao segundo. O segundo fazia o que se sabe, devia passar o tempo de charuto na boca meio deformada e sempre concentrado sobre o tabuleiro de xadrez. O terceiro era, dizia, fazia…

 

     Lamento, mas não me lembro. Isto de apanhar e classificar Gambozinos, além de ser do foro psiquiátrico é de zoólogo social amante de um bom néctar da Escócia.

 

Avelino Rosa

Odivelas, 25-12-2015

 

Poesia

23-12-2015

   

 

São Martinho

10-11-2015

   

 

     Amanhã é dia de São Martinho.  - Castanhas e vinho.

     Para conhecer a história pesquise na Internet. Um gesto de humanidade de um soldado romano.

     Nesta altura, de a crispação política e em que a bondade é quase irrelevante, prova-se o vinho com as castanhas, retiradas do “ouriço”. A vida é um pouco assim. São os espinhos que, vencidos, lhe dão mais sabor. Que todos, sentados à mesa do verão tardio, saibam entender que Portugal está em primeiro lugar…

 
 
 

 

Clique em cima da foto para ler a História do 5 de Outubro

 

 

 

 
Poesia

Tátá

22-05-2015

     
Poesia

Morrendo em ti

22-05-2015

     
Poesia

 Desinteressada

08-05-2015

     
Poesia

 O teu Retrato

01-05-2015

 

 

 
Jornal "ALAGOA"

24-03-2015

 

 

 

Ao cabo de tantos anos, eis como a juventude

nos entra porta adentro, acordando a saudade,

mas sobretudo mostrando-nos alguém que

quase havíamos esquecido - nós próprios.

Grato Alda Monteiro e João Luís, por me

terem feito recordar tempos fantásticos.

(Esta é uma montagem da compilação que

o João Luís fez do jornal local de que foi editor

- o Alagoa - e que me orgulho de ter sido colaborador).

Em Prosa, na opção "1970-2001" pode ver mais textos

publicados no Alagoa.

Bem hajam Alda e João Luís!

   
Poesia

Poesia (Dia da Poesia)

21-03-2015

     

 

   
Poesia

Babel aqui ao lado

01-03-2015

     
Poesia

Estátua fria

01-03-2015

     
Prosa

 Gente de Fibra (Ótica)

22-02-2015

     
Poesia

 Cesto de vime

29-01-2015

     
Poesia

 Pedra de mármore

11-01-2015

 

 

 

 
Prosa

 Ao correr das teclas... I

03-01-2015

     
Poesia

 Escondendo segredos

02-01-2015

 

 

 

 

Poesia

 Fantasma Fantasia

28-12-2014

     
Poesia

 O Grito

21-12-2014

     
Poesia

 Quero ser Mar (canção)

14-12-2014

     
Prosa

 Os trauliteiros

13-12-2014

 

 

     
Prosa

Jardim dos Desejos

05-12-2014

     
Poesia

Beijo com sofreguidão

11-11-2014

     
Prosa

Pão que o Diabo amassou

08-11-2014

     
Poesia

Plantação de letras

01-11-2014

     
Poesia

Essa Força

21-10-2014

     
 

 
     
Poesia

Poema naufragado

18-10-2014

 

 

 

 

O Gato das Botas (nova versão)

 

12-10-2014

 

 

     Fim de outono. De botas reluzentes, passeava-se pela sede da Secção do Partido. Esperava o leader, homem pequeno, esguio e ambicioso. Capaz de quase tudo, de tudo mesmo – desde que por interposta pessoa -, para subir os pedestais da política, até onde fosse legítimo e ou possível.

     Prometera ajudá-lo, mesmo que tivesse de arcar com as consequências do insucesso, dele claro, que o leader era intocável. Frequentava a Faculdade da Treta, sempre que se lembrava, com o único objetivo de ter um canudo que justificasse um tratamento por deferência – Dr. (Senhor doutor) -, que ficava sempre bem, condizente com a posição e abria alguns círculos mais renitentes a iletrados.

     As faltas às aulas iam sendo compensadas por colegas do mesmo ramo de atividade, ávidos de servir o servil do chefe, e os próprios docentes – convictos de uma hipotética ascensão -, jogavam na incerteza e probabilidades do futuro, que antes a Deus pertencia e agora a quem mais sabiamente o preparava nos bastidores.

     E o novo Gato das Botas – como lhe chamavam alguns, em jocosa alusão a uma das versões do conto de Charles Perrault -, ia, paulatina mas objetivamente, preparando o terreno para a sua criação, estabelecendo pontes, abrindo portas, obtendo compromissos, arranjando consultorias com dupla utilidade – sustento e experiência curricular para o chefe.

     Quando chegaram, finalmente, ao poder, festejando o êxito do programa traçado, o sol foi de pouca dura. O gato lacaio, acusado de falsas habilitações e promessas vãs foi trucidado pelos Media e, contrariamente, ao expectável a um servil, assanhou-se, deitando as unhas de fora e arranhando quem ousasse apontar-lhe como caminho a demissão.

     E levou tudo de arrasto. O leader, os novos servidores de ambos, os que haviam pactuado ao longo dos anos, até os que, sabendo de tudo, se haviam calado em conveniente conivência. Estes últimos foram julgados e condenados a prisão. Os restantes mudaram, aparentemente, de ramo de atividade ou, pelo menos, de empresa. E tudo continuou como antes. O Gato das Botas reformou-se, mas ainda dá lições de moral aos mais jovens do partido e cobra os serviços que presta como facilitador, desconhecendo-se se a atividade é declarada e se paga IRS. 

Avelino Rosa,

Odivelas, 12-10-2014

     
Poesia

Pernil de porco

12-10-2014

     
Raposa predadora

12-10-2014

   

   

     A raposa, vaidosa, de pelo brilhante e longa cauda luzidia, parecia faiscar na noite com o néon da discoteca, patética. Bebia um drink numa languidez de freguês habitué, frapê.  

     Mirava, sobretudo, um coelho com pele de veludo. Branco e cinzento, bigodes compridos e nariz nervoso, sempre atento, com orelhas de ouvir tudo à sua volta. Janota, com um laço preto reluzente e diferente na forma de olhar e tentar agradar.

     O coelho correspondia ao olhar da raposa com um sorriso carente, movendo a dentuça reluzente como se lhe mordiscasse as bochechas eroticamente. Sedento de luar e de noite, eufemismo de porto de abrigo, inimigo de si mesmo. Deleitado com a sua áurea de macho, puro narcisismo.

     A raposa saiu do salão, exibindo o seu porte majestoso, na direção do jardim de inverno, sombrio e frondoso. O coelho seguiu-a, rebrilhando o olhar, vazio e sequioso.

     Meia hora depois, a raposa voltou ao salão. Então mais comedida. O brilho apagara-se e a bebida era um chá de tília. Pendendo do pescoço, um novo adereço, preso à écharpe. Um rabo de coelho, ainda em movimentos, lentos.

 

Avelino Rosa,

Odivelas, 10-10-2014

     
Poesia

Rosto lavrado

08-10-2014

     

 

Poesia

Droga de vida

08-10-2014

     
Publicações

Aquela Viagem

23-09-2014

 

 

      No passado sábado, foi lançada a Coletânea "Aquela Viagem", com contos de diversos autores.

     A Editora Papel d´ Arroz colocará o livro à venda on-line e na Livraria Bertrand.

     Participo, com mais cinquenta e três autores, publicando um conto, que intitulei "A Viagem", um exercício pelo interior de mim mesmo, produto dos mundos que me envolveram e envolvem. Da História aos meandros de uma cultura manipuladora, com alguma imaginação à mistura.

 
   

23-09-2014

     
O poder da água

23-09-2014

   
 

 
 

     A água desce desvairada, pela minha montanha, engrossando, estremecendo a terra, abrindo a cama, por onde escorre, livre e furiosa. Arranca árvores, desloca rochas, arrasta tudo o que se atreve a dificultar-lhe a passagem. O encontro com o mar é uma luta de refregas constantes, que se estendem muito para além da foz de cada ribeira. A água acastanhada da terra, envolvendo os despojos ao longo do seu curso, entra sob a vagaria solene e engalanada de brancos esvoaçantes, reflui e volta a insistir, até que ambos se misturam, numa auréola mesclada ao longo da costa.

    

      Vencido o mar, amansada a água da montanha, entranham-se como os amantes que se diluem, clímax da própria natureza do ato de amar.

    

     As tuas lágrimas rebeldes caem sobre o meu peito. Abrem sulcos que se espraiam pelo corpo, como uma teia, tecida de pensamentos e coisas que não entendo. Mas queimam-me, entram pelos poros e espalham-se, como vírus, temperando-me a vontade.

     O beijo que me dás então, sabendo ainda a sal, transporta-me para os ocasos serenos de meados do Outono.

Avelino Rosa,

Odivelas, 21-09-2014

 
Poesia

Futuro atrasado

23-09-2014

     
Poesia

Análise ao sangue

23-08-2014

     
Poesia

Escravo do teu olhar

23-08-2014

 

     
Poesia

Implosão

13-09-2014

     
Poesia

Desnudado

31-08-2014

     
Sonho sonhado

30-08-2014

 

 

    Deitei-me já tarde naquela longa noite de Dezembro. Um pensamento, recorrente, latejava na minha cabeça. Prometera que teria um bom sonho e estava decidido a sonhá-lo. Como? Induzindo-o a mim mesmo ao adormecer, imaginando-me na história, não a história. Vivendo-a, como se fosse real, sentindo como se sente acordado. Por vezes resulta, outras não. Era o meu receio de, sem querer, quebrar a promessa que havia feito, a ela e a mim mesmo.

 

     O corpo começou a abandonar-se ao sono. No meu cérebro uma imagem fixa: a do rosto dela. Por vezes, desfocava desaparecendo, com a sobreposição de uma outra imagem indefinida. Teimando, reconstituía o rosto, até ao vagamente nítido, mas o rosto dela - o que eu queria ver, tocar, sentir...

 

     Adormeci. Maria Mar surgiu do fundo da praia. Gaivotas voavam em círculos, brincando na brisa que soprava a espuma das ondas, farrapos brancos que desapareciam no ar. O Sol era já só metade no horizonte. As ondas murmuravam as rezas do final das tardes. O vestido de Maria adejava, confundindo-se com a brancura da espuma e das gaivotas. Eu olhava-a como uma aparição que se ia tornando mais nítida, mais real.

 

     Estava deitado sobre a esteira roçada de observador do mar e de criador de sonhos da distância. Ela parou, indagando-me com um olhar fixo, perscrutador. Como se lhe trouxesse memórias ainda frescas ou lhe lembrasse outra vida esfumada no tempo implacável, que vai abrindo brechas na sua natural secura. Soerguendo-me, com um gesto lento, enfeitiçado, convidei-a a ficar ao meu lado. Ela aceitou.

 

     Ficámos assim, emudecidos, olhando o infinito, sentido o odor da maresia e dos corpos que comunicam sem palavras. As gaivotas pousaram em nosso redor, repousando das danças agitadas e dos voos errantes. Como se a tarde, já com o Sol feito de mil cores, fosse pretexto para o abandono dos nossos corpos à volúpia, ao êxtase intemporal.

     
Poesia

Estrela Marota

30-08-2014

     
Poesia

Corpo Cansado

30-08-2014

     
Poesia

Pedra Inanimada

30-08-2014

     
Prosa

A Caçada

30-08-2014

     
Conversas de café 02

14-08-2014

   

 

 

  Há quem nunca mude aos nossos olhos. Ainda hoje, quando o vemos de fraque e laço, numa ocasião solene de salão, vemos o casaco gasto e seboso da Faculdade. O olhar enviusado e o sorriso torcido. A cara esburacada de galo atrevido e conquistador de poleiros de poder curto ou tolerado e conveniente. É verdade que há galinhas que cacarejam na razão inversa dos ovos que põem, mas ele há galos que galam voltados à Lua, em razão exclusiva de objetivos pessoais bem delineados e só atingíveis com inteligentes estratégias de chico “espertismo”, anuladas de valores e despidas da mais vulgar decência.

 

   E singram e alcançam, para eles e para a família. O segredo está em vender a alma ao Diabo? Está apenas na desfaçatez e, cada vez mais, na normal realidade de conseguir obter o grau maior do ser insensível e de dormir como o anjo transviado que abraçou a secular profissão da importância e desprezo inúteis.

     
Poesia

Poema para ti

13-07-2014

     
Poesia

Instantes breves

07-06-2014

 

 

     
Poesia

Surgiste do nada

05-06-2014

 

     
Poesia

Conformado

24-05-2014

     
Poesia

Autista

24-05-2014

     
Poesia

Loucura

24-05-2014

     
Prosa

Boca do Inferno

24-05-2014

     

Prosa

Álbum fotográfico

24-05-2014

   
Maldição

29-03-2014

   

 

    Um mendigo – pelo menos a avaliar pelo traje (fato e gravata esfarrapados) e a barba por fazer -, entrou no Café, segurando-se na porta e no canto do balcão, como se fosse desfalecer a todo o momento. Olhado por todos, com comiseração, ergueu a cabeça e disse:

 

       - Fui um Servidor do Estado durante mais de 40 anos. Trabalhei muito para além do que me exigiam e do que me pagavam. Agora estou desempregado, sem ordenado e com uma pensão de miséria. Vivo de esmolas. Morro, um pouco, todos os dias. Talvez morra de vez agora ou nos próximos dias. É por isso que tenho de lançar esta maldição agora: A todos os que me prometeram segurança no trabalho, regalias confiáveis, tratamento justo, recompensas por maior esforço, gratidão pelo exemplo; a todos, primeiros-ministros, ministros, secretários de estado, que não cumpriram o prometido; a todos os empresários, jornalistas, comentadores e gente malformada que, aos poucos, foram minando a confiança no serviço público e pedindo a cabeça dos servidores do Estado; a todos os que, propositadamente, para fazerem valer os seus interesses, foram transformando os servidores públicos em malfeitores; a todos eles, a todos mesmo, sem excepção, desejo que morram da pior forma, sofrendo o tempo suficiente para se lembrarem do mal que fizeram. Que as dores os dilacerem, que o arrependimento lhes provoque hemorragias. Que a morte os disforme como seres inumanos.

 

   Dito isto, o mendigo saiu ligeiro, sem se apoiar em nada e desapareceu pela rua abaixo. Dos clientes do Café, uns riram, outros nem tanto. Eu, como outros, fiquei a pensar.

 

Foto poemas

 

 

 

   
Circo

01-03-2014

   

 

     A jovem circense que encantava os espetadores saltitando no arame e rematando com uma acrobacia ímpar, padecia de inveja. Dos seios das mulheres que observava. Resolveu, então, fazer um implante. Ao voltar ao trabalho, apercebeu-se de que perdera o ponto de equilíbrio.

     Não se deu por vencida e treinou, treinou... até readquirir parte da elegância com que percorria o arame, a cinco metros da pista do circo. Mas, a acrobacia... nunca mais a pode executar. Só a rede a salvou nas inúmeras tentativas de voltar aos seus dias de glória.

     Moral da história: os seios pequenos são encantadores. Se não gostou, tire você mesmo a conclusão.

 
Poesia

Paixão louca

01-03-2014

 
Dia dos Namorados

14-02-2014

   

 

     O Dia dos Namorados (ou de S. Valentim) tem origem na segunda metade do Século III. Roma, governada pelo imperador Claudius II, estava envolvida em diversos confrontos sangrentos e experimentava dificuldades em recrutar novos solados. Claudius II terá cismado que os homens não queriam abandonar as suas esposas, namoradas e amantes, pelo que proibiu os noivados e casamentos em Roma. Valentim, o bispo de Terri, por fervor ou devoção, continuou a casar jovens apaixonados, o que motivou a sua decapitação em 14 de Fevereiro de 270.

 

     Em 498, Valentim é canonizado. As festividades em honra deste santo foram, a pouco e pouco, substituindo as Lupercais, festas pagãs da fertilidade. Durante a idade Média S. Valentim tornou-se num dos santos mais populares de alguns países. Em 1840, Ester A. Howland começou a produzir lembranças para comemorar o Valentine´s Day. Daí em diante, a ideia foi conquistando o Mundo e, hoje, é quase indispensável oferecer algo a quem se ama. Mas, um beijo bem apaixonado, daqueles que perduram ao longo dos anos, mesmo no fundo das cinzas, é bem capaz de ser o melhor presente.

   
Poesia

Pontuação

14-02-2014

     
Conversas de Café 01

02-02-2014

   

 

...

     -Temos saladinha de frutas, mousse de chocolate, arroz docinho e pudimzinho.

     - E que me aconselha?

     - Pudimzinho que é caseirinho...

....

     Somos assim, assimzinho melhor dizendo. Por isso temos um presidentezinho, um governozinho, ministrinhos e deputaduzinhos e mais “inhos” que nem convém mencionar. Será que não há ninguém que mande, já crescidinho?

Tadinhos!.

     De nós, claro. Que almoço mais chatinho...

 
Poesia

Adereços

02-02-2014

     
Poesia

Acendeste um Sol

02-02-2014

   
 

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Prosa

Contos eróticos (2007 e 2011)

25-01-2014

     
Poesia

Novo Ano

04-01-2014

     
 

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Poesia

Fuso e roca

26-12-2013

     
Poesia

Fugi de mim

26-12-2013

     
Poesia

Poço do Diabo

26-12-2013

     
Poesia

Insanidade...

26-12-2013

     
Poesia

Caminhos

26-12-2013

     
Prosa

Sonho sonhado

26-12-2013

     
Língua portuguesa

01-12-2013

   

 

     Assim vai a Língua Portuguesa. “Tar” em vez de estar. “Tão” em vez de estão. Não mereceria reparo se esse linguajar não fosse da responsabilidade de figuras públicas, incluindo deputados e governantes, a quem se exige a preservação daquele património, falando corretamente, dando o exemplo aos cidadãos e, sobretudo, à Escola.

  

     “Tão, badalão” soa o sino, tocado a preceito pelo Sacristão. “Ão, ão, ladra o cão. Camões deve estar a coçar os... cabelos, desvelo de poeta de um País imaginário. Fadário?! Não existe. Apenas a educação e a cultura, que se iniciam nos bancos da Escola e se cultivam.

  

     Retomada a polémica do Novo Acordo Ortográfico, convinha manter a matriz da língua portuguesa.

   
 

Foto poemas

   

 

 

 

Poesia

Pássaro tardio

08-09-2013

     
Poesia

Tristeza

08-06-2013

     
Poesia

Coisa nenhuma

08-06-2013

     
Poesia

Vens pela Net

30-05-2013

     
Poesia

Flor selvagem

07-05-2013

     
Poesia

Abril sempre!

25-04-2013

     
Nebulosa

19-03-2013

   

 

   As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogénio e plasma. Poeira todos sabem o que é. Hidrogénio é um gás inflamável, incolor e inodoro. O plasma, gás ionizado, é designado de quarto estado da matéria. Isto, em termos científicos. Em termos práticas, digamos que uma nebulosa é uma espécie de enxame de gentes, de diversos quadrantes, propensas a contradições, confusões e inflamações, mais ou menos descoloridas e sem odor contagiante, que atuam num universo confabulado e nos azucrinam o juízo quotidianamente.

 

    Ficamos, assim, nublados, mais do que espanto, por uma profunda estupidificação do que nos está a acontecer. Sobretudo, por nos sentirmos radiantemente ionizados a caminho da fissão.

   
Poesia

Atualização, incluindo-se textos de 1971 a 1972

02-03-2013

     
Prosa

Atualização, incluindo-se textos de 1970 a 1972.

02-0922013

     
Prelúdio e fuga

09-02-2013

   

 

    No limiar. De quase tudo, do quase nada. Balanceando a vida. Esgueirando-nos pelos intervalos do tempo. Vivendo, morrendo, ressuscitando. Dos prazeres ao desespero, ressacando no ócio. Quase sublimes, nos momentos de afirmação. Recatados, escondidos, nas longas ausências de identidade. Perspicazes, mordazes e gentis nas palavras. Aborrecidos nas delongas e pausas intempestivas. Amantes das indefinições, incógnitas e das frases incompletas. Sensíveis, mesmo quando indiferentes. Ternos, na assunção de macho e fêmea. Emocionados nas coisas banais.

 

      As árvores crescem do seio da Terra. Brotam de sementes que não é necessário semear. Nascem e morrem porque pertencem à Natureza. Uma natureza que nos escapa. Nem nos faz pensar, perder um pouco do nosso tempo para conhecer ou, simplesmente, imaginar o milagre. Detemos o saber de quase tudo. Menos o saber de nós. Criamos, recriamos os mesmos ciclos, permanentemente. Adoramos santinhos e santinhas ou um Deus do alter-ego das nossas aflições. No quotidiano, prestamos tributo a ídolos fabricados pelos Media, que conhecemos apenas pela voz, pela imagem e, raramente, ao vivo, numa distorção projetada da nossa própria insatisfação face aos padrões de vida que, num processo difuso, vai sendo fabricando.

 

      O padre António Vieira falou aos peixes. Luís de Camões cantou a epopeia dos Descobrimentos. Fernando Pessoa refugiou-se nos heterónimos para, de modos diferentes, dizer do mesmo. E o mesmo é que, apesar das múltiplas facetas dos que escrevem sobre a Humanidade, há um prelúdio e fuga que se repete. Talvez porque seja a essência da condição humana.

 
Galos de crista baixa

26-09-2012

   

 

     Há cada vez mais galos com a crista baixa. Sinal dos tempos. Agora olham à distância a paisagem que antes não viam. Talvez se surpreendam com o que os rodeia ou, simplesmente, começaram a entender que deixaram de ser o centro das atenções e passaram a alvo. Os muros do mundo de ficção que foram criando, ao longo do tempo, no doce embalo do poder das coisas efémeras, ruiu. Começam a sentir-se sós, abandonados. Alguns, estrebucham, ainda, como o galo mal decepado que bica sem ver, apenas porque pressente o segundo golpe da faca.

 

   Finalmente, há galos que não sendo dignos da capoeira, vão perdendo o canto (e o encanto), baixando a crista, recuando, aos poucos, para o canto mais escuro do galinheiro.

 
Barco à vela

10-06-2012

   

 

      Alguém acredita que esta “coisa” velejava? Pois garanto que sim. E levava duas pessoas. A foto foi tirada em setembro de 1977 na Lagoa de Albufeira. Foi construída em contraplacado e cabia no tejadilho do meu FIAT 128.

      Embora não se veja na foto, tinha leme e caixa de patilhão com o respetivo, feitos também de contraplacado. Não metia água e atingia uma velocidade interessante mesmo com pouco vento.

 
Merklande

07-05-2012

   

 

     Em que é que o “Merklande” vai alterar a política do “Merkozy”? - Na possibilidade de, designadamente, modificar a rigidez da austeridade, permitindo algum crescimento económico e, consequentemente, o relançamento da economia interna com a diminuição do desemprego.

     A pergunta e resposta assentam na perspetiva de uma mudança da política europeia, numa visão otimista e de esperança.

     Eu cá, sendo um rapaz otimista, fico na mesma. Apenas espero que não venha mais do mesmo.

   
Prosa

Delírios

15-04-2012

Falar, sem dizer nada

24-09-2011

 

   Connosco o nosso comentador que nos vai responder ao que acha da crise. “- Bem, como venho dizendo, repetidamente, acho que devo ser a única pessoa a ir ao âmago da questão, que é o das raízes do problema, com as envolvências que conhecemos, o que condiciona fortemente a evolução económica, não só ao nível do nosso País, mas de uma forma global. É previsível que durante este ano, e até meados do próximo, não se obtenham resultados visíveis que possam, de algum modo, dar sinais de um arranque significativo.”.

 

   Vou pensar seriamente em ser comentador. Basta ter boa aparência, falar benzinho e, sobretudo, como dizia o Padre da minha Freguesia de Jovem, “quando falamos devemos imaginar que as pessoas que estão à nossa frente são um serrado de repolhos”. Pois, o homem até tinha alguma razão. Parafraseando outro que já foi para terras dos “bifes”: - E os burros somos nós?!...

 
Poesia

Caravelas

Persistência

24-09-2011

     
Prosa

Camões, o chato!

24-09-2011

     
Ludovico

David e Golias

24-09-2011

Kekeka kekeres?

06-08-2011

 

    Kekeka kekeres? – Escreveu ela. - Quêee?! – Retorqui eu, perante tão insólita pergunta? – Nanada de maismais ... é keke sou gagaga. – Não sabia que os gagos também escreviam gaguejando... lol – Respondi eu. - Poixixix... É parara sabereseres keke sousou assimsim.

 

    Mais uma vez o chat. Agora uma gaga. Não disse antes que este Verão era para esquecer? Compra um gajo um pc portátil, um pingarelho de internet móvel, mete-se nos chats e sai disto. A crise tomou conta de tudo ou quêquê? Daqui a pouco quem gagueja sou eueueu...

 
Poesia

Casa túmulo

Melro preto

06-08-2011

     
Prosa

Cores do desejo

06-08-2011

     
Ludovico

Obama, já chega

06-08-2011

     
Férias, kais férias?  

18-07-2011

 

 

(Tou rendido à linguagem dos chats, por isso, não kero mesmo saber do português, com Akordo ou sem ele.)

    

   ´Vem um gaijo à procura de uma cena para curtir umas férias no Algarve e xega à konklusão ke não era a cena ke tinha endrominado. Não tá muita maltosa, isso não tá. Mas há bué de portugas, kuando tava à espera dumas xikas inglesas, alemoas, francesas, suekas… sei lá, de gaijas bouas memo. As portugas só gritam e armam chavaskal e cortam-se kuando a cena é pra valer. As stranjas vão memo até...Ya.

    

   Atrakei a uma gaija de Leiria e a coisa tava a dar, mas, num repente, ela disse-me: “- Ya, meu, a cena tá fixe, mas vou bazar!”. Sem mai nada. E bazou memo. Fiquei prali feito totó, com kara de palhaço. Tão a ver… Foi então ke decidi voltar pro Pourto, kisto de axar ke o Algarve é pra stranjos já deu… E depois kerem ka gente axe piada ao ALLgarve. Tasse, meu.

   
Poesia

A Taberna

A Bola

18-07-2011

     
Prosa

A Fatinha e a Maria Olívia

18-07-2011

     
Ludovico

A Crise Maior

18-07-2011

   
Incerteza...

05-06-2011

   

 

   Ainda não há resultados eleitorais, mas serão conhecidos daqui a poucos minutos. Votei como todos os cidadãos o deviam ter feito, sobretudo neste momento particular que exige, de todos nós, uma participação activa. Dito isto, fica-me a boca amarga, como se um bago de fel, alimentado nos últimos anos, aumentasse num pico, esperado, de incerteza.

    

   A incerteza, não tanto dos resultados mas, sobretudo, do que nos espera.

     

Poesia

Amor recorrente

05-06-2011

Agora, e o depois...

19-04-2011

   

 

    O cabelo, outrora loiro, a adivinhar-se pelos resquícios de madeixas irregulares, estava agora empastado e tingido de cor de cinza, mesclada de encardidos e negros. O vestido amarrotado, provavelmente comprado em tempos de abundância, denunciava ainda uma marca famosa. Nos pés, uns chinelos sem cor, gastos. Quando voltei ao rosto daquela mulher jovem, maltratado e sujo, perdi-me num azul profundo, de mar tempestuoso, sem sinais de calmaria.

    

    Deambulando, trôpega, entre as mesas da esplanada do Café, repetia a mesma frase: “- Estou desempregada, uma esmola, por favor!”.

Prosa

A Senhora Marquesa

19-04-2011

Poesia

Beijo ausente

19-04-2011

Ludovico

Crise, qual crise?

19-04-2011

   
A Cidade

29-01-2011

   

 

    Vivo na cidade porque gosto de me sentir incógnito entre a multidão. Dizia eu isso há muitos anos atrás. Era então quando se manifestava o antagonismo com um meio pequeno, onde vivera e em que toda a gente se conhecia. As coscuvilheiras das janelas, debruçadas sobre o seu pequeno Mundo, faziam chegar, nunca soube porque artes, a notícia das minhas peripécias nocturnas a casa antes do meu regresso. Porque não havia telefone e o passa palavra estava impedido por uma ponte e mais uns bons metros de estrada. Embora nunca tenha ligado muito a isso, senti-me muito mais livre e senhor de mim mesmo na Capital, descobrindo os novos horizontes.

     Hoje, não sei se é assim. Vivo na Cidade como se não vivesse. Faço um percurso diário periférico e volto-lhe costas sempre que posso. Tento dosear a Baixa como medicamento de recurso e inevitável. Reconheço as vantagens das grandes superfícies comerciais, mas sei, quase sempre, à partida, onde está o que quero mesmo. No hipermercado levo cerca de meia hora nas compras da semana. As promoções passam-me, quase sempre, despercebidas. Há uns anos atrás, sofri a vergonha de me terem telefonado a pedir explicações por ter respondido a um inquérito em que afirmava não ter notado o “Festival da Páscoa” ou outra coisa parecida, que até tinha milhares de ovos e coelhinhos. Não vi mesmo, mas compreendo o desespero deles com pessoas assim como eu.

     Mas ainda não respondi à minha própria dúvida. Tento pensar como seria viver longe da cidade, num qualquer lugar. Talvez até a poucos quilómetros da Capital. Mas nem imagino. Sou dos acérrimos defensores da descentralização e da criação de valências locais. Vocifero contra os engarrafamentos, contra a poluição, contra a perda de tempo e do tempo não vivido, mas não me imagino a viver fora da Cidade. É uma contradição, aceito. É como sentir, ao mesmo tempo, que estou longe e perto, com tudo à mão. É como estar isolado, sabendo que posso ter um banho de multidão anónima, que me pode apetecer cumprimentar, mas não tenho de o fazer e muito menos de inventar conversas de ocasião. Coisas de ilhéu!...

 

(A foto é de uma rua estreita para os lados de Alcântara)

 
 

Entrevista ao Jornal Tribuna de Macau

   
 

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